Fruticultura e Horticultura

Maior oferta brasileira derruba preços do suco de laranja em Nova York, mas varejo dos EUA mantém valores recordes

Relatório Agro Mensal do Itaú BBA aponta queda nas cotações internacionais diante da expectativa de safra maior no Brasil e revisão negativa do Fundecitrus para o ciclo atual


Publicado em: 18/02/2026 às 12:00hs

Maior oferta brasileira derruba preços do suco de laranja em Nova York, mas varejo dos EUA mantém valores recordes
Cotações internacionais do suco de laranja recuam com previsão de safra maior no Brasil

De acordo com o Itaú BBA, os preços do suco de laranja na Bolsa de Nova York registraram forte queda nas últimas semanas, reflexo da estimativa de aumento na produção brasileira.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a safra 2026/27 do país deve superar a anterior, que já havia sido considerada alta.

Na bolsa, o suco foi negociado a US$ 2.498,20 por tonelada, acumulando recuo de 21% em 30 dias e desvalorização de 56% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando as cotações se aproximavam de US$ 6.000/t.

A expectativa de uma oferta global mais robusta, liderada pelo Brasil, segue pressionando os contratos futuros.

Mesmo com queda em NY, preços seguem recordes no varejo americano

Apesar da desvalorização no mercado futuro, o consumidor americano ainda enfrenta preços recordes nas prateleiras. Dados do Departamento de Pesquisa Econômica do USDA mostram que o suco de laranja concentrado congelado foi vendido, em dezembro, a US$ 4,82 por lata, o maior valor da série histórica.

Na média de 2025, o preço ficou 8,6% acima do registrado em 2024, alcançando US$ 4,60/lata.

Esse movimento se explica pela baixa produção doméstica dos Estados Unidos, especialmente na Flórida, cuja safra foi estimada em 12 milhões de caixas para 2026/27, e pela maior dependência do suco brasileiro.

Exportações brasileiras mudam de rota: queda nos EUA e alta na Europa

O relatório aponta que, em janeiro, o perfil das exportações brasileiras de suco de laranja passou por uma mudança importante.

As compras dos Estados Unidos, que vinham em ritmo forte desde o início da safra, caíram para 12 mil toneladas no mês.

Em contrapartida, as aquisições da União Europeia voltaram a crescer, atingindo 50 mil toneladas — um aumento de 56% em relação a janeiro de 2025 e salto de mais de 230% na comparação com dezembro.

O movimento reforça a recomposição da demanda europeia, após meses de retração.

Fundecitrus reduz novamente a estimativa da safra 2025/26

Enquanto o mercado internacional projeta alta na oferta global, o Fundecitrus revisou para baixo sua estimativa da safra 2025/26 no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro.

O levantamento divulgado em 10 de fevereiro apontou produção de 292,6 milhões de caixas, uma queda de 0,7% em relação à segunda reestimativa (294,8 milhões) e 7% menor que a projeção inicial (314,6 milhões de caixas).

A redução foi atribuída ao desempenho abaixo do esperado das variedades tardias, prejudicadas pelo déficit hídrico entre maio de 2025 e janeiro de 2026, período em que as chuvas ficaram abaixo da média histórica.

Até meados de janeiro, 87% da safra já havia sido colhida, confirmando a tendência de ajuste negativo antes do fechamento do ciclo.

USDA projeta leve recuperação da produção global em 2026/27

Para o próximo ciclo (2026/27), o USDA projeta uma leve recuperação da produção mundial de suco de laranja concentrado congelado (FCOJ), estimada em 1,351 milhão de toneladas, alta de 0,8% sobre o ciclo anterior.

O Brasil deve liderar essa expansão, com crescimento de 1,9%, alcançando 1,032 milhão de toneladas, consolidando-se como o maior produtor e exportador global.

Do lado da demanda, espera-se uma retomada gradual do consumo, impulsionada pela queda dos preços ao consumidor após o período de forte valorização.

Ainda assim, o volume de produção projetado deve ser suficiente para atender a demanda global, mantendo o equilíbrio no mercado internacional de suco.

Fonte: Portal do Agronegócio

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