Publicado em: 01/07/2026 às 15:30hs
A combinação entre tecnologia de irrigação e manejo da saúde do solo vem se consolidando como uma das principais estratégias para manter e elevar a produtividade do hortifrúti brasileiro em meio ao avanço das crises climáticas.
Com eventos extremos mais frequentes, irregularidade das chuvas e aumento dos custos de produção, agricultores têm priorizado soluções capazes de melhorar o aproveitamento da água e fortalecer o sistema radicular das culturas — especialmente em regiões altamente dependentes de estabilidade climática.
O movimento é mais evidente em polos hortícolas de Minas Gerais, como São Gotardo e Santa Juliana, importantes regiões na produção de alho, cenoura, cebola, beterraba, repolho e batata.
Nessas culturas, altamente sensíveis ao clima, o foco deixou de ser apenas o fornecimento de nutrientes e passou a incluir o equilíbrio biológico do solo e a eficiência do uso da água como fatores centrais da produtividade.
Segundo o gerente comercial da Hydroplan-EB, Francisco de Carvalho, a lógica de manejo dentro das propriedades rurais está mudando de forma estrutural.
“Os produtores perceberam que não basta apenas fornecer nutrientes. É preciso criar condições para que a planta desenvolva um sistema radicular forte, consiga explorar melhor o solo e aproveite cada gota de água disponível”, afirma.
Dentro dessa nova abordagem, ferramentas voltadas à biologia do solo e à eficiência da irrigação vêm ganhando espaço nas propriedades rurais.
Entre as soluções adotadas estão tecnologias como o Mikro HF, voltado ao estímulo da atividade microbiológica e fortalecimento do ambiente radicular, além dos sistemas HB10 DRIP e HB10 PIVOT, aplicados para melhorar o aproveitamento da água e reduzir impactos do estresse hídrico nas plantas.
A tendência reflete um modelo de produção mais integrado, que combina nutrição vegetal, manejo biológico e irrigação de precisão para sustentar produtividade em cenários adversos.
Na prática, o objetivo é permitir que as plantas desenvolvam raízes mais profundas, ampliem a absorção de nutrientes e apresentem maior tolerância a períodos de estiagem, altas temperaturas e variações climáticas bruscas.
De acordo com a Embrapa, as hortaliças estão entre os cultivos mais sensíveis aos impactos das mudanças climáticas, devido à dependência direta de água e temperatura estável para seu desenvolvimento.
Eventos como estiagens prolongadas e chuvas irregulares afetam diretamente o ciclo produtivo, comprometendo rendimento e qualidade das lavouras.
Para o especialista Francisco de Carvalho, a eficiência produtiva se tornou o principal indicador de competitividade no campo.
“Quando o agricultor melhora a eficiência da irrigação, reduz perdas por estresse climático e potencializa o desenvolvimento das plantas, os ganhos aparecem não apenas na produtividade, mas também na rentabilidade da operação”, destaca.
Embora mais evidente na horticultura, o movimento de eficiência no uso da água também começa a se expandir para outras cadeias produtivas.
No Sudoeste Paulista, culturas como trigo e sorgo já incorporam práticas de manejo hídrico e estratégias de otimização de recursos naturais, ampliando o alcance dessa transformação no campo.
Para especialistas do setor, o avanço tecnológico no campo aponta para um modelo agrícola cada vez mais baseado em eficiência operacional e sustentabilidade produtiva.
A integração entre irrigação de precisão, manejo do solo e uso racional dos recursos naturais deve ser determinante para o próximo ciclo de crescimento do agronegócio brasileiro.
“A agricultura brasileira já alcançou níveis elevados de produtividade. O próximo salto será baseado em eficiência”, conclui Francisco de Carvalho.
Fonte: Portal do Agronegócio
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