Publicado em: 14/04/2026 às 14:40hs
As importações brasileiras de cebola registraram avanço em março, mas fatores climáticos na Argentina — principal fornecedora do produto ao Brasil — podem modificar o cenário de oferta no curto prazo. A expectativa é de mudanças no fluxo de abastecimento, com possível ampliação da participação chilena no mercado nacional.
De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o Brasil importou pouco mais de 23 mil toneladas de cebola em março. O volume representa alta de 22,5% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Apesar do crescimento, o total ainda é considerado relativamente baixo. A tendência, no entanto, é de avanço nas importações ao longo dos próximos meses.
Segundo a equipe de hortifrúti do Cepea, a expectativa de aumento nas importações está diretamente ligada à diminuição da oferta nacional. Neste período, além da menor disponibilidade, a qualidade da cebola produzida internamente também começa a cair, abrindo espaço para maior entrada do produto estrangeiro.
Atualmente, a Argentina responde por cerca de 73% das importações brasileiras de cebola, seguida pelo Chile, com participação de 27%. O país vizinho se mantém como principal fornecedor ao mercado nacional.
No curto prazo, esse cenário pode sofrer alterações. Fortes chuvas nas principais regiões produtoras argentinas causaram alagamentos, afetando tanto o volume quanto a qualidade das colheitas destinadas à exportação.
Com parte da produção comprometida, exportadores argentinos podem enfrentar dificuldades para manter o ritmo de embarques ao Brasil.
Diante das adversidades enfrentadas pela Argentina, o Chile tende a ganhar espaço no fornecimento de cebola ao Brasil. Com menor impacto climático recente, produtores e exportadores chilenos podem aumentar sua participação nas exportações.
Segundo o Cepea, o país já vem ampliando sua presença no mercado brasileiro ao longo dos últimos anos, movimento que pode ser intensificado neste cenário.
O avanço das importações aliado às incertezas climáticas na Argentina deve manter o mercado atento nas próximas semanas. A relação entre oferta interna, qualidade do produto nacional e disponibilidade externa será determinante para o comportamento dos preços e o abastecimento no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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