Fruticultura e Horticultura

IDR-Paraná desenvolve quatro novas cultivares para impulsionar a fruticultura e aumentar a renda dos produtores

Novas variedades de maçã, ameixas e pitaia prometem maior produtividade, resistência a doenças, adaptação ao clima paranaense e frutos de alta qualidade para o mercado


Publicado em: 02/07/2026 às 10:45hs

IDR-Paraná desenvolve quatro novas cultivares para impulsionar a fruticultura e aumentar a renda dos produtores

O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) está na fase final de desenvolvimento de quatro novas cultivares que prometem fortalecer a fruticultura estadual e ampliar as oportunidades para os produtores rurais. As novas variedades — uma de maçã, duas de ameixa e uma de pitaia — passam pelos últimos processos de avaliação antes do registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), etapa necessária para sua disponibilização ao setor produtivo.

As cultivares foram desenvolvidas com foco na produtividade, adaptação às condições climáticas do Paraná, resistência a doenças e qualidade dos frutos, características consideradas fundamentais para aumentar a competitividade da fruticultura brasileira e atender às exigências do mercado consumidor.

Pesquisa genética fortalece inovação no campo

O desenvolvimento das novas variedades é resultado de anos de pesquisa em melhoramento genético conduzida pelo IDR-Paraná. O trabalho busca oferecer aos agricultores materiais mais produtivos, sustentáveis e adaptados às diferentes regiões produtoras do Estado.

Segundo o diretor-presidente do instituto, Altair Sebastião Dorigo, cada cultivar representa um longo processo de estudos, cruzamentos e seleção de plantas com características superiores.

Além de elevar o desempenho das lavouras, os novos materiais foram projetados para reduzir custos de produção, melhorar a sanidade dos pomares e ampliar a rentabilidade das propriedades rurais.

Para a diretora de Pesquisa e Inovação do IDR-Paraná, Vania Moda Cirino, o investimento contínuo em ciência e inovação é essencial para garantir a competitividade da agricultura paranaense e fortalecer a sustentabilidade da produção de frutas.

Nova maçã foi desenvolvida para regiões de inverno ameno

Entre os destaques está uma nova cultivar de maçã desenvolvida especialmente para áreas de clima subtropical, onde as variedades tradicionais apresentam limitações de produtividade devido à menor ocorrência de frio durante o inverno.

A cultivar necessita de aproximadamente 260 horas de frio para a quebra de dormência, menos da metade da exigência de materiais tradicionais do grupo Gala, permitindo excelente adaptação às condições climáticas do Paraná e de outras regiões brasileiras.

Além da baixa necessidade de frio, o material apresenta elevado potencial produtivo, podendo superar 50 toneladas por hectare, boa resistência às principais doenças da cultura e menor necessidade de manejo, já que dispensa a realização da poda verde.

Os frutos apresentam formato uniforme, polpa crocante, equilíbrio entre doçura e acidez e coloração atrativa para o consumidor.

A nova variedade amplia uma trajetória iniciada há mais de três décadas pelo antigo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), responsável pelo desenvolvimento de cultivares adaptadas ao clima subtropical que hoje são cultivadas em diversos estados brasileiros e até em outros países.

Novas ameixas oferecem resistência à principal doença da cultura

O programa de melhoramento também resultou em duas novas cultivares de ameixa que apresentam resistência à escaldadura das folhas, enfermidade causada pela bactéria Xylella fastidiosa, considerada uma das maiores ameaças à cultura no Brasil.

Outro diferencial das novas variedades é a baixa exigência em frio, característica cada vez mais importante diante da ocorrência de invernos menos rigorosos nas principais regiões produtoras.

Uma das cultivares reúne alta produtividade, excelente qualidade dos frutos, maior concentração de antioxidantes e maior vida útil após a colheita, favorecendo a comercialização.

A segunda variedade destaca-se pelo vigor das plantas, estabilidade produtiva e potencial para atuar como polinizadora em pomares comerciais, contribuindo para elevar o rendimento das áreas cultivadas.

Nova pitaia antecipa a colheita e amplia oportunidades de mercado

A nova cultivar de pitaia foi desenvolvida a partir de cruzamentos realizados no Norte do Paraná e apresenta como principal diferencial o florescimento precoce.

Com isso, os produtores poderão iniciar a colheita entre 20 e 25 dias antes das variedades atualmente mais cultivadas, aproveitando períodos de maior valorização da fruta e ampliando as possibilidades de comercialização ao longo da safra.

O material também reúne características importantes para a produção comercial, como autofertilidade, elevada produtividade, frutos com peso superior a 500 gramas, polpa branca firme e maior resistência ao rachamento, fator que reduz perdas durante a colheita e o transporte.

Fruticultura paranaense mantém trajetória de crescimento

As novas cultivares chegam em um momento de expansão da fruticultura no Paraná, impulsionada tanto pelo fortalecimento de culturas tradicionais quanto pela incorporação de novas espécies de elevado valor agregado.

Na cultura da maçã, o Estado já figura entre os principais produtores nacionais, beneficiado justamente pelas variedades adaptadas às condições de inverno ameno desenvolvidas pela pesquisa agrícola.

Segundo dados da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), em 2024 a produção paranaense de maçã alcançou 25,7 mil toneladas em pouco mais de mil hectares cultivados, gerando Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 87,2 milhões.

A ameixa também apresentou importância econômica significativa, com produção de 6,4 mil toneladas em aproximadamente 450 hectares e VBP de R$ 28,8 milhões.

Já a pitaia segue entre as frutas que mais expandem sua presença no Estado. Em 2024, a cultura ocupou 333 hectares, produziu 3,8 mil toneladas e movimentou R$ 41,7 milhões em Valor Bruto da Produção, consolidando-se como uma alternativa de diversificação e geração de renda para os produtores paranaenses.

Com a chegada das novas cultivares, a expectativa é ampliar a competitividade da fruticultura estadual, oferecendo aos agricultores materiais mais produtivos, resistentes e adaptados às exigências do mercado, fortalecendo ainda mais o agronegócio paranaense.

Fonte: Portal do Agronegócio

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