Publicado em: 03/03/2026 às 10:30hs
O fim de fevereiro trouxe um cenário misto para o setor de fruticultura brasileiro, com variações de preços, impactos climáticos e ajustes na oferta em diversas regiões produtoras. Informações do Hortifrúti/Cepea apontam que, enquanto algumas frutas reagiram positivamente, outras enfrentaram retração de preços em meio ao aumento de oferta e à influência das chuvas sobre a qualidade dos produtos.
No Vale do São Francisco (PE/BA), os produtores de uva seguem com oferta reduzida e dificuldades para atender à demanda. O menor volume de áreas podadas e a chuva tardia, que começou apenas no fim de fevereiro, reduziram ainda mais a disponibilidade, especialmente das uvas sem semente.
A BRS Vitória Cat. 1 foi comercializada a R$ 12,20/kg (+1,4%), e a branca sem semente, a R$ 12,10/kg (+1,3%). Apesar da leve alta, o risco de chuvas mais intensas nas próximas semanas pode interromper colheitas e aumentar perdas, além de elevar os custos de produção para quem investe em coberturas agrícolas como forma de proteção.
Os preços da maçã continuaram em queda entre 23 e 27 de fevereiro, mas com menor intensidade. O aumento da oferta da variedade Gala e o avanço da colheita pressionaram o mercado.
A Gala graúda Cat. 1 foi vendida a R$ 110,00/cx de 18 kg, recuo de 3,5%, enquanto a Cat. 3 caiu 8,8%, para R$ 79,00/cx. No atacado paulista (Ceagesp), a graúda foi cotada a R$ 133,72/cx (-12,3%) e a miúda, a R$ 116,55/cx (-2,8%).
Com o início da colheita da variedade Fuji em março, a oferta doméstica deve aumentar, o que pode pressionar ainda mais as cotações no curto prazo.
Os preços do mamão formosa subiram na Bahia na última semana de fevereiro, enquanto o havaí manteve estabilidade. No Sul da Bahia, o formosa foi vendido a R$ 1,08/kg, alta de 41% em relação à semana anterior. Já no Norte do Espírito Santo, o havaí 12-18 se manteve em R$ 4,21/kg.
A preferência do consumidor migrou para o formosa, mais acessível frente aos preços elevados do havaí. No atacado da Ceagesp, o havaí 15-18 registrou R$ 61,25/kg (+6%) e o formosa, R$ 46,00/kg (+5%). Para março, a tendência é de valorização do formosa e ajuste negativo do havaí, acompanhando a reposição da oferta e o comportamento do consumo.
No Vale do São Francisco, o mercado de manga apresentou comportamentos opostos entre as variedades. A Palmer recuou cerca de 32% em fevereiro, com o preço chegando a R$ 1,77/kg na última semana, pressionado pelo aumento de oferta interna e pela concorrência das exportações peruanas para a Europa.
Já a Tommy Atkins teve forte valorização: iniciou o mês abaixo de R$ 1,00/kg e encerrou fevereiro a R$ 1,74/kg, alta de 75%. Apesar de não haver expectativa de aumento expressivo nas exportações em março, a oferta controlada pode sustentar os preços, desde que o escoamento da produção siga estável.
As cotações da melancia graúda (>12 kg) recuaram em todas as regiões produtoras, reflexo do avanço da segunda etapa da safra baiana e da intensificação da colheita no Rio Grande do Sul.
Em Teixeira de Freitas (BA), o quilo foi cotado a R$ 0,93 (-14%), enquanto no RS, o preço caiu para R$ 0,72/kg (-20,6%). No entreposto da Ceagesp, a fruta foi negociada a R$ 2,30/kg, queda de 7,3%, diante do acúmulo de produto e do ritmo mais lento de comercialização.
Com as colheitas ainda em andamento, a expectativa é de novas quedas nas próximas semanas, ampliando a disponibilidade no mercado nacional.
As chuvas intensas no Vale do São Francisco interromperam colheitas e reduziram a oferta de melão amarelo, que registrou valorização de 8%, sendo vendido a R$ 1,05/kg.
Parte das frutas apresentou rachaduras na casca devido ao excesso de umidade, reduzindo o volume de produtos de qualidade disponível. Com a previsão de chuvas persistentes para a primeira semana de março, o mercado deve seguir com baixa oferta e tendência de alta nas cotações, até que as colheitas possam ser retomadas plenamente.
O conjunto dos dados mostra que o clima segue como o principal fator de instabilidade para a fruticultura nacional, afetando tanto a qualidade quanto o volume de produção.
Enquanto chuvas e calor impactam negativamente colheitas no Nordeste, regiões do Sul enfrentam baixas temperaturas e excesso de umidade, dificultando o equilíbrio do mercado.
O mês de março deve começar com movimento moderado de preços, com tendência de recuperação para produtos de oferta controlada — como melão, uva e manga Tommy — e retração para frutas com maior volume de colheita, como maçã e melancia.
Fonte: Portal do Agronegócio
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