Exportações de uva do Brasil caem 30% no primeiro semestre de 2026 pressionadas por tarifas, qualidade e custos
Embarques recuam em volume e faturamento, enquanto tarifas nos Estados Unidos, problemas de qualidade e aumento dos custos reduzem a competitividade da fruta brasileira no mercado internacional.
Publicado em: 10/07/2026 às 10:45hs
As exportações brasileiras de uva registraram forte retração no primeiro semestre de 2026. Dados do Comex Stat analisados pelo Cepea mostram que o Brasil embarcou 7,27 mil toneladas entre janeiro e junho, volume 30% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. A receita também caiu na mesma proporção, somando US$ 19,55 milhões (FOB).
O desempenho abaixo das expectativas foi consequência da combinação de fatores como dificuldades produtivas, problemas de qualidade dos frutos, aumento dos custos de produção e barreiras comerciais, reduzindo a competitividade da uva brasileira no mercado externo.
Holanda lidera compras da uva brasileira
Mesmo diante da retração das exportações, a Holanda (Países Baixos) permaneceu como principal destino da uva brasileira, concentrando 42% do volume exportado no semestre.
Na sequência aparecem:
- Holanda – 42%;
- Reino Unido – 23%;
- Argentina – 16%;
- Canadá – 8%;
- Estados Unidos – 6%.
Tarifa dos EUA reduz embarques para o mercado norte-americano
Um dos principais fatores que limitaram as exportações foi a tarifa de 33% aplicada às importações brasileiras pelos Estados Unidos.
Como consequência, os embarques destinados ao mercado norte-americano despencaram em relação ao ano anterior, reduzindo significativamente a participação do país nas vendas externas brasileiras durante o semestre.
O cenário reforçou a necessidade de redirecionamento da produção para outros mercados e aumentou a dependência dos destinos europeus.
Problemas de qualidade pressionam vendas para a Europa
Além das dificuldades comerciais, exportadores enfrentaram desafios relacionados à qualidade de parte dos lotes enviados ao mercado europeu.
Segundo o Cepea, esse fator comprometeu a competitividade da fruta brasileira justamente em um período de custos elevados de produção, reduzindo as margens das operações de exportação.
Diante desse contexto, muitos produtores optaram por direcionar maior parte da produção ao mercado interno, considerado mais rentável no primeiro semestre.
Mercado interno tornou-se mais atrativo
Com preços domésticos mais competitivos e custos elevados para atender aos padrões internacionais, produtores priorizaram o abastecimento do mercado brasileiro.
A estratégia adotada pelo setor foi preservar os clientes internacionais já consolidados, evitando ampliar operações para novos mercados enquanto persistiam as dificuldades de competitividade.
Segunda janela de exportação traz perspectivas mais positivas
Apesar dos resultados negativos da primeira metade do ano, o setor demonstra maior otimismo para a segunda janela de exportação.
A melhora gradual das condições climáticas vem favorecendo o manejo dos parreirais e proporcionando uma formação mais uniforme dos lotes destinados às exportações, elevando a expectativa quanto à qualidade da fruta.
Outro fator considerado positivo é o avanço do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que tende a garantir a continuidade do acesso da uva brasileira ao mercado europeu.
Competitividade seguirá como desafio
Mesmo com perspectivas melhores para o restante do ano, agentes do setor avaliam que os desafios permanecem.
A expectativa é de maior concorrência entre os principais países exportadores de uva, especialmente diante da redução das barreiras tarifárias e da crescente competitividade internacional.
Além disso, a renovação varietal realizada por produtores europeus deve ampliar a oferta local, reduzindo a janela comercial disponível para a fruta brasileira e pressionando as remunerações dos exportadores.
Assim, embora o cenário climático seja mais favorável para a segunda safra exportadora, a competitividade continuará sendo o principal desafio para o Brasil ampliar sua participação no mercado internacional de uvas em 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias