Publicado em: 10/04/2026 às 11:35hs
As exportações brasileiras de suco de laranja seguem com desempenho misto na safra 2025/26 (julho de 2025 a março de 2026). De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Cepea, o volume embarcado permanece estável em relação ao mesmo período da temporada anterior.
Apesar disso, a receita com as vendas externas registra queda expressiva de 27,1%, reflexo direto da redução nos preços internacionais ao longo da atual safra.
O bom desempenho das exportações para os Estados Unidos tem sido um dos principais fatores de sustentação do volume total embarcado. Mesmo com o aumento das vendas ao mercado norte-americano, o faturamento obtido com esse destino apresenta retração de 16,4% na safra.
Esse cenário evidencia a pressão exercida pelos preços mais baixos no mercado internacional, que têm limitado o retorno financeiro das exportações, mesmo diante de volumes mais elevados.
Os embarques para a União Europeia seguem sendo motivo de atenção para o setor citrícola brasileiro. Em março, os envios ao bloco somaram 36,9 mil toneladas, avanço de 49,3% frente a fevereiro.
Ainda assim, o ritmo de exportação não tem sido suficiente para igualar o volume total escoado na safra anterior.
Por outro lado, pesquisadores do Cepea destacam fatores que podem favorecer uma retomada das compras europeias nos próximos meses, como:
A safra de melancia 2025/26 no Rio Grande do Sul foi encerrada com desempenho inferior ao esperado pelos produtores, segundo levantamento do Cepea.
O início da temporada foi marcado por chuvas acima da média em importantes regiões produtoras, como Encruzilhada do Sul e Arroio dos Ratos. O excesso de precipitações afetou áreas em desenvolvimento, levando à necessidade de replantio e comprometendo a produtividade inicial.
Além das chuvas, temperaturas elevadas favoreceram o aumento de casos de antracnose nas lavouras, prejudicando a qualidade das frutas. Esse fator reduziu a competitividade da melancia gaúcha, especialmente em comparação com produtos de outras regiões, como Teixeira de Freitas (BA).
Com o avanço da safra, houve melhora nas condições climáticas, especialmente em Bagé, onde o calendário de plantio e colheita é mais tardio. Ainda assim, os ganhos de produtividade registrados entre janeiro e março não foram suficientes para reverter as perdas iniciais.
A safra gaúcha encerrou com produtividade média de 34 toneladas por hectare entre dezembro e março, resultado 21% inferior ao da temporada anterior.
Ao mesmo tempo, os custos de produção aumentaram cerca de 30%, impulsionados por fatores como:
Em contrapartida, os preços de comercialização ficaram, em média, 29% abaixo dos registrados na safra passada.
Com isso, a margem dos produtores foi de R$ 0,34 por quilo no período, representando uma queda de 61% em relação à temporada anterior e o pior resultado dos últimos cinco anos no estado.
Diante do cenário de custos elevados, menor produtividade e preços mais baixos, os produtores de melancia no Rio Grande do Sul encerram a safra com rentabilidade bastante reduzida.
Mesmo com os preparativos para a temporada 2026/27 ainda distantes, o resultado financeiro mais apertado tende a limitar a capacidade de investimento dos produtores, podendo impactar diretamente o planejamento da próxima safra.
Os dados do Cepea evidenciam um cenário desafiador para diferentes cadeias do agronegócio brasileiro.
Enquanto o setor de citros enfrenta queda no faturamento devido aos preços internacionais mais baixos, mesmo com volumes estáveis, a produção de melancia no Rio Grande do Sul sofre com custos elevados, problemas climáticos e redução nas margens.
O ambiente reforça a necessidade de atenção dos produtores às condições de mercado, custos de produção e fatores climáticos que seguem determinando os resultados no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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