Publicado em: 17/04/2026 às 10:10hs
As exportações brasileiras de melão registraram nova queda em março, refletindo o encerramento da safra 2025/26 no principal polo produtor do país. De acordo com dados do Comex Stat, o volume embarcado foi de 21,8 mil toneladas, o que representa uma redução de 47% em relação a fevereiro.
A receita também apresentou retração significativa, com queda de 53%, totalizando US$ 17 milhões (FOB).
Os principais destinos da fruta no período foram:
A redução nos embarques está diretamente ligada ao término da campanha nos estados do Rio Grande do Norte e Ceará, principais regiões exportadoras do Brasil.
Segundo colaboradores do Hortifrúti/Cepea, as colheitas foram encerradas até o fim de março, mesmo com a ocorrência de chuvas ao longo do mês. Em Mossoró, principal município produtor, o volume acumulado de precipitação chegou a aproximadamente 139 mm, conforme dados da prefeitura local.
Apesar da queda mensal, o desempenho da temporada 2025/26 foi positivo quando analisado o período entre agosto e março.
No acumulado da safra:
O avanço foi impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo o aumento da demanda europeia, problemas produtivos em países concorrentes da América Central e a expansão da área cultivada no Brasil.
Para o período de entressafra, entre abril e junho, parte dos produtores já iniciou as colheitas ainda em março, com embarques destinados ao mercado externo.
A expectativa do setor é de volumes semelhantes aos registrados nos últimos dois anos, que apresentaram crescimento nesse período. Isso deve ocorrer mesmo diante de uma produção mais elevada na América Central, já que a oferta desses países tende a diminuir ao longo do mês, assim como a brasileira, com a entrada da safra da Espanha.
Um dos principais desafios no curto prazo é a persistência das chuvas no Rio Grande do Norte e no Ceará. O excesso de precipitação tem prejudicado as colheitas e afetado a qualidade dos frutos.
Com isso, parte da produção não atinge o padrão exigido para exportação, sendo destinada ao mercado interno, muitas vezes com comercialização a granel.
As discussões para os contratos da safra 2026/27, que normalmente começam no fim de março, estão sendo postergadas. O principal motivo é o cenário de incerteza gerado pelo conflito no Oriente Médio, que impacta diretamente os custos logísticos, especialmente os fretes marítimos.
Apesar do atraso nas negociações, o setor não prevê mudanças no calendário de início da próxima safra.
Diante do aumento dos custos de transporte e da percepção de possível saturação do mercado europeu, exportadores brasileiros já estudam estratégias de diversificação.
Entre as alternativas em análise estão:
A movimentação busca reduzir a dependência da Europa e garantir a manutenção de volumes expressivos de exportação nas próximas temporadas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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