Publicado em: 26/01/2026 às 11:50hs
O agronegócio brasileiro de frutas encerrou 2025 com resultados expressivos, atingindo recorde histórico nas exportações em volume e valor, de acordo com levantamento da Consultoria Agro do Itaú BBA.
Mesmo enfrentando barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, o setor manteve ritmo de crescimento e garantiu um superávit de US$ 423 milhões na balança comercial de frutas frescas e secas.
No total, o Brasil exportou 1,3 milhão de toneladas, gerando US$ 1,4 bilhão em receitas — um aumento de 20% em volume e 11% em valor em comparação a 2024.
O desempenho foi impulsionado pela recuperação da produção nacional, pelo aumento da demanda europeia e pela diversificação de destinos de exportação, mesmo diante de um cenário externo desafiador.
Entre as frutas brasileiras, a manga manteve a liderança em receitas, com US$ 335,1 milhões exportados.
Em seguida, destacaram-se melões (US$ 231,5 milhões), limões (US$ 199,2 milhões), uvas (US$ 158,6 milhões) e melancias (US$ 115,6 milhões).
Esses resultados reforçam o papel do Brasil como um dos principais fornecedores globais de frutas tropicais, fortalecendo sua presença nos mercados europeu e latino-americano.
A União Europeia permaneceu como o principal destino das frutas brasileiras, absorvendo 62% das exportações.
A performance no mercado europeu foi favorecida por janelas de entressafra e menor oferta interna, especialmente na Espanha.
As tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos em agosto de 2025 afetaram diretamente as exportações de manga e uva, dois produtos com grande participação no mercado norte-americano.
O impacto foi mais severo para as uvas, cujos embarques caíram de 13,8 mil toneladas em 2024 para 4,1 mil toneladas em 2025.
Apesar disso, a manga brasileira conseguiu crescer 13% em volume exportado, alcançando 290 mil toneladas.
O redirecionamento das vendas para a Europa e o fim antecipado da safra mexicana ajudaram a compensar parcialmente as perdas.
Entretanto, o preço médio da fruta recuou 15%, refletindo o ajuste do mercado.
O mercado interno também registrou alta nas importações, que somaram US$ 1 bilhão em 2025 — um crescimento de 5% em relação ao ano anterior.
As frutas mais importadas foram maçã, pera e kiwi, com a Argentina mantendo-se como principal fornecedora, responsável por 35% do volume total.
A redução de 9% nas importações de maçãs está relacionada à recuperação da safra nacional.
Já o kiwi, cuja produção brasileira ainda é limitada, segue dependente de fornecedores como Chile, Grécia e Itália, com aumento de 10% na receita em 2025.
Para 2026, o cenário é considerado otimista pelo Itaú BBA.
O avanço do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deve ampliar a competitividade do Brasil no bloco europeu, especialmente com a eliminação gradual de tarifas.
As uvas brasileiras terão isenção imediata, enquanto outras frutas contarão com redução escalonada, fortalecendo o posicionamento do país como exportador estratégico de frutas tropicais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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