Publicado em: 27/05/2026 às 07:00hs
A crescente instabilidade no mercado global de energia e petroquímicos está elevando a preocupação de empresas ligadas ao amadurecimento de frutas frescas. A oferta de etileno industrial, gás essencial para o processo de amadurecimento, enfrenta aumento de custos, volatilidade de preços e riscos de abastecimento em diferentes regiões do mundo.
O cenário tem levado operadores da cadeia de produtos frescos a revisarem suas estratégias de fornecimento, em busca de maior previsibilidade operacional e menor dependência do mercado petroquímico internacional.
O etileno utilizado em sistemas convencionais de amadurecimento é produzido a partir de petróleo e gás natural por meio de processos petroquímicos.
No mercado global, porém, a maior parte da produção é destinada a grandes segmentos industriais, como fabricação de plásticos e produtos químicos. O amadurecimento de frutas representa apenas uma pequena parcela do consumo total da commodity.
Isso faz com que o setor de frutas fique exposto às oscilações de demanda e às prioridades de indústrias muito maiores.
Segundo Greg Akins, presidente e CEO da Catalytic Generators, essa dependência aumenta a vulnerabilidade das operações.
“O etileno industrial é produzido principalmente para aplicações petroquímicas em grande escala, sendo que o amadurecimento de frutas requer uma quantidade relativamente pequena. Isso significa que as operações de amadurecimento dependem de uma cadeia de suprimentos impulsionada por outras indústrias”, afirma.
As tensões geopolíticas e os impactos sobre os mercados de energia vêm agravando a instabilidade do fornecimento de etileno em algumas regiões, especialmente na Ásia.
Com restrições de oferta e avanço dos preços, empresas de amadurecimento passaram a enfrentar maior dificuldade para garantir suprimento contínuo do gás, essencial para frutas como bananas, abacates e cítricos.
A preocupação do setor envolve não apenas o custo, mas também a previsibilidade operacional, já que qualquer interrupção no fornecimento pode comprometer cronogramas logísticos e qualidade dos produtos.
Diante desse cenário, cresce o interesse por soluções de geração local de etileno dentro das próprias câmaras de amadurecimento.
A Catalytic Generators destaca que sistemas de produção sob demanda permitem reduzir a dependência das cadeias externas de abastecimento e minimizar os efeitos das oscilações do mercado petroquímico.
Entre as tecnologias oferecidas pela companhia está o sistema Easy-Ripe®, que produz etileno diretamente no local de amadurecimento por meio da formulação Ethy-Gen® II, derivada de fontes renováveis.
Segundo a empresa, o modelo permite maior controle operacional, previsibilidade e segurança de abastecimento.
De acordo com Akins, empresas do setor vêm demonstrando interesse crescente em estratégias que ampliem a resiliência operacional.
Em alguns mercados asiáticos afetados por restrições recentes, operadores passaram a considerar tanto a migração para sistemas alternativos quanto a adoção de fontes secundárias de fornecimento de etileno.
A movimentação reflete uma preocupação crescente com a continuidade das operações diante das incertezas do mercado internacional.
Além da segurança de abastecimento, a geração local de etileno também surge como alternativa alinhada às demandas de eficiência e sustentabilidade.
Ao produzir o gás diretamente na câmara de amadurecimento, as empresas reduzem dependência logística, diminuem exposição às oscilações externas e mantêm maior estabilidade no processo de maturação das frutas.
A tendência acompanha um movimento mais amplo do setor agroalimentar, que busca tecnologias capazes de unir eficiência operacional, gestão de risco e redução de vulnerabilidades na cadeia global.
O avanço das incertezas no mercado petroquímico internacional está mudando a dinâmica do fornecimento de etileno para o setor de frutas frescas. Com maior pressão sobre preços e disponibilidade, operadores de amadurecimento ampliam investimentos em soluções locais de geração do gás, buscando mais controle, previsibilidade e segurança operacional em um ambiente global cada vez mais instável.
Fonte: Portal do Agronegócio
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