El Niño preocupa produtores de cenoura: chuvas atrasam plantio no RS e falta de água limita oferta na Bahia
Em Caxias do Sul, produtores relatam atraso de cerca de um mês e descarte próximo de 20%; São Gotardo e Cristalina mantêm atividades programadas, segundo o Cepea
Publicado em: 28/10/2026 às 13:10hs
Os efeitos do El Niño sobre a produção de cenoura apresentam diferenças entre as principais regiões produtoras do Brasil. Enquanto o excesso de chuva prejudica o plantio e a colheita em Caxias do Sul (RS), a disponibilidade de água preocupa agricultores de Irecê (BA). Em São Gotardo (MG) e Cristalina (GO), as atividades seguem sem impactos significativos até o período analisado.
Segundo levantamento do Hortifrúti/Cepea, as condições climáticas exigem atenção tanto para a conclusão da safra de inverno de 2026 quanto para o planejamento da temporada de verão 2026/27. Os principais riscos envolvem dificuldades de acesso às áreas, ocorrência de doenças e perdas de produtividade e qualidade.
Excesso de chuva atrasa plantio de cenoura no Rio Grande do Sul
Entre as praças acompanhadas, Caxias do Sul apresenta os problemas mais expressivos relacionados ao excesso de precipitações. Produtores relatam atrasos de aproximadamente um mês no calendário de plantio, entre setembro e outubro, devido à dificuldade de entrada nas áreas.
A umidade também compromete as colheitas e a qualidade das raízes. Nas lavouras colhidas, o percentual de descarte relatado chega a cerca de 20%, reduzindo o volume disponível para comercialização e pressionando a rentabilidade.
Para atender ao mercado sulista, parte dos produtores tem adquirido cenouras de outros estados, como Santa Catarina e Minas Gerais, para revenda.
Incerteza climática afeta planejamento da safra de verão
A perspectiva de continuidade das chuvas mantém os cenouricultores gaúchos cautelosos com os plantios de verão. Conforme o levantamento, a expectativa de maior intensidade do El Niño no último trimestre de 2026 amplia a preocupação com o desenvolvimento das plantas e a formação das raízes.
Nesse cenário, alguns agricultores já adiaram semeaduras em outubro, à espera de condições mais favoráveis para retomar os trabalhos. A combinação de atrasos, perdas de qualidade e maior descarte pode estreitar as margens dos produtores da região.
Restrição hídrica mantém oferta controlada em Irecê
Em Irecê, na Bahia, o principal desafio é a disponibilidade de água. A previsão de restrição hídrica leva os agricultores a controlar os plantios de inverno e verão, considerando a necessidade de irrigação e a dependência dos poços.
Segundo o Hortifrúti/Cepea, algumas lavouras já apresentam sinais de escassez de água. A situação contribui para manter a oferta regional de cenoura mais limitada durante a safra de inverno.
São Gotardo e Cristalina seguem sem perdas significativas
Em São Gotardo, principal praça produtora de cenoura do país, o cenário descrito pelo levantamento é de temperaturas mais elevadas e chuvas próximas à média. Até o período analisado, essas condições não haviam provocado danos significativos à produção ou à rentabilidade da safra de inverno.
As precipitações de setembro favoreceram a ocorrência de doenças, como mela e pinta, mas sem redução expressiva da produção. Com isso, as colheitas e os plantios destinados à safra de verão seguem de forma programada.
Em Cristalina, Goiás, o panorama é semelhante ao observado em Minas Gerais, com as operações de campo transcorrendo sem imprevistos relevantes no período acompanhado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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