Fruticultura e Horticultura

Descendentes de japoneses investem no plantio de goiaba no Paraná

Carlópolis se torna polo de produção da goiaba, uma das poucas frutas que elevou exportações em 2022


Publicado em: 02/02/2023 às 17:00hs

Descendentes de japoneses investem no plantio de goiaba no Paraná

Cultivar goiaba com selo de procedência e certificação para exportação se tornou o principal negócio das agricultoras Inês Sasaki e Marilda Leiko Kawasaki na volta ao Brasil, após passarem mais de dez anos trabalhando em indústrias do Japão, terra natal dos pais, visando juntar dinheiro.

As duas investiram em sítios em Carlópolis, cidade paranaense que ostenta o título de capital nacional da goiaba e tem a qualidade de sua fruta reconhecida no mercado interno e no exterior.

Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro produzem 80% da goiaba brasileira, mas Carlópolis se tornou um polo de produção e exportação a partir de uma iniciativa em 2014 do Sebrae de capacitar os agricultores do local e da vizinha Ribeirão Claro para correr atrás da IG (Indicação Geográfica).

MERCADO EXTERNO

O registro nacional que reconhece reputação, qualidades e características de determinado produto que estão vinculadas ao local de produção saiu em 2015. A certificação Global Gap (Good Agriculture Practices), necessária para exportar, veio em 2019.

Dois anos depois, o Brasil dobrou suas exportações e, em 2022, a goiaba foi uma das poucas frutas a manter em alta as vendas para o mercado externo.

Enquanto as frutas em geral tiveram uma queda de 11% na receita e 15% no volume, segundo dados do Sistema Agrostat do Ministério da Agricultura e Pecuária, os embarques da goiaba brasileira mais que dobraram em dois anos, com receita de US$ 1,18 milhão em 2022.

“Passei 14 anos trabalhando em indústrias no Japão. Voltei e comprei um sítio onde plantei 20 hectares de café. A aposta na goiaba, cuja renda mensal hoje sustenta minha família, veio com a proposta do Sebrae de tirar a indicação geográfica e a certificação para os produtores da região. Comecei com 300 pés e hoje tenho cerca de 1.000”, conta Marilda, 55 anos, divorciada e mãe de três filhos, que está passando o comando da propriedade para o filho Kyuhee Yamamoto, técnico agrícola.

Em 2020, uma forte geada atingiu o sítio, provocando muitas perdas nas goiabeiras e também no café. Marilda teve que podar ou replantar a maioria das árvores e ficou praticamente sem produzir no ano passado. Compensou parte do prejuízo com a produção de pitaia, abacate e maracujá, mas manteve o foco na recuperação da goiaba.

COOPERATIVISMO

Inês também apostou no projeto do Sebrae e plantou 320 pés de goiaba em 2015 no sítio do pai, onde nasceu e de onde saiu apenas para estudar em São Paulo e trabalhar 14 anos no Japão. “Meu pai plantava hortaliças e maracujá. Eu agreguei as goiabas, que se tornaram o carro-chefe da propriedade”.

Hoje, ela cultiva 730 pés e, além da lavoura, também trabalha como gerente comercial da Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis, que recebe a maior parte da produção de goiaba do município e negocia com as tradings que exportam a fruta para Inglaterra, Portugal, Oriente Médio e Canadá, entre outros. Por semana, a cooperativa repassa às tradings de 1.400 kg a 2.000 kg.

Fonte: Abrafrutas

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