Publicado em: 02/03/2026 às 12:00hs
O excesso de chuvas nas principais regiões produtoras de hortaliças do país tem provocado queda de produtividade e aumento dos preços em diferentes culturas, especialmente nas lavouras de cenoura, batata, cebola e alface. Segundo levantamento do Hortifrúti/Cepea, entre os dias 23 e 27 de fevereiro, o cenário climático impactou o ritmo de colheita, reduziu a oferta e gerou descartes de produtos por problemas fitossanitários e fisiológicos.
A irregularidade nas precipitações, aliada à alta umidade e oscilações de temperatura, vem comprometendo tanto a qualidade quanto o volume colhido, além de pressionar os custos de produção com o aumento da necessidade de manejo e defensivos agrícolas.
Em São Gotardo (MG), as cotações da cenoura “suja” registraram expressiva alta, atingindo R$ 55,00 por caixa de 29 kg, uma valorização de 120% em relação à semana anterior. O aumento foi impulsionado pela dificuldade de colheita em meio às chuvas volumosas, que reduziram o volume comercializado e elevaram os descartes.
De acordo com produtores, o excesso de umidade provocou aumento de problemas fisiológicos, como ombro verde e bifurcação, e maior incidência de doenças como mela e pinta preta. A produtividade média das lavouras em fevereiro ficou em 1.900 caixas por hectare, um recuo de 26% frente a janeiro.
A previsão da Climatempo indica acúmulo de até 100 mm de chuva nas próximas duas semanas na região, o que pode atrasar ainda mais a colheita e dificultar os novos plantios programados para março.
A safra de cebola está em fase final nas principais regiões do Sul, e a menor disponibilidade do produto tem contribuído para altas moderadas nas cotações. Em Santa Catarina, a cebola vermelha crioula foi vendida a R$ 1,04/kg em Ituporanga (+39,9%) e R$ 0,90/kg em Lebon Régis (+12,5%).
Apesar da valorização, os preços ainda não cobrem os custos de produção, segundo o Cepea. A oferta expressiva no estado, especialmente de cebolas armazenadas e áreas remanescentes de colheita, tem limitado reajustes mais fortes. Em Ituporanga, a qualidade do produto caiu devido ao tempo prolongado de armazenagem e à incidência de carvão, o que gerou descartes e perda de padrão comercial.
A batata especial tipo ágata registrou alta nos principais centros atacadistas do país. Em São Paulo, o produto foi comercializado a R$ 54,62 por saca de 25 kg (+10,7%), enquanto no Rio de Janeiro o preço subiu para R$ 56,17 (+4,6%) e em Belo Horizonte atingiu R$ 56,12 (+26,2%).
O movimento de valorização foi resultado da menor oferta nas praças produtoras do Cerrado Mineiro, onde as chuvas têm sido frequentes e prejudicado a qualidade dos tubérculos. Já nas regiões Sul, como Guarapuava (PR) e Água Doce (SC), a qualidade superior garantiu melhor desempenho nas vendas.
Para a primeira semana de março, a previsão é de redução das chuvas nas áreas produtoras, o que pode aumentar a oferta e aliviar a pressão sobre as cotações.
Nas regiões produtoras de Ibiúna e Mogi das Cruzes (SP), os produtores enfrentam o desafio de conciliar chuvas persistentes e queda no consumo. O excesso de precipitação tem limitado a colheita e comprometido a qualidade das folhas, com aumento de viroses e bacterioses.
Mesmo com a demanda enfraquecida, a oferta controlada ajudou a sustentar os preços. A alface crespa foi vendida a R$ 30,85/cx com 20 unidades em Ibiúna (-2,6%) e R$ 35,85/cx em Mogi (+2,4%). Já a americana manteve estabilidade, com R$ 29,85/cx em Ibiúna e R$ 35,20/cx em Mogi.
Para março, a expectativa é de oferta limitada, já que a continuidade das chuvas deve dificultar o avanço dos plantios — especialmente em Mogi, onde o relevo de baixada restringe a expansão das áreas cultivadas.
Analistas do Hortifrúti/Cepea avaliam que o clima continuará sendo o principal fator de influência sobre o mercado de hortaliças no curto prazo. O excesso de umidade tende a manter a oferta restrita, sobretudo no Sudeste, enquanto a recuperação da qualidade pode levar algumas semanas após a estabilização do tempo.
A tendência para março é de mercado firme e preços elevados para produtos com maior sensibilidade climática, como cenoura e batata, e de oferta gradual nas culturas que dependem de colheitas mais espaçadas, como cebola e alface.
Fonte: Portal do Agronegócio
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