Publicado em: 13/01/2026 às 11:40hs
O ano de 2026 promete ser um dos mais desafiadores para a citricultura brasileira, segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
Embora a safra 2025/26 registre bom volume de produção, o potencial produtivo tem sido parcialmente comprometido devido ao avanço do greening (doença que causa queda de frutos e enfraquecimento das plantas), ao cancro cítrico e às condições climáticas desfavoráveis em fases importantes do desenvolvimento das lavouras.
A estimativa é que a produção nacional some pouco menos de 300 milhões de caixas de 40,8 kg, número suficiente para contribuir com a recomposição dos estoques de suco de laranja. Apesar disso, o cenário segue de atenção, especialmente diante dos custos crescentes de controle fitossanitário e da redução na produtividade observada em diversas regiões.
Além dos desafios produtivos, o setor enfrenta menor demanda internacional, principalmente na Europa, um dos principais destinos do suco de laranja brasileiro.
O ritmo mais lento das vendas tem dificultado as negociações da commodity e mantido os preços sob pressão, uma vez que as processadoras estão com estoques em recomposição e menor urgência para adquirir novas cargas de fruta.
De acordo com o Cepea, essa conjuntura tem intensificado a disputa entre vendedores e compradores, levando a indústrias mais cautelosas nas compras e valores mais contidos pagos aos citricultores.
Para a safra 2026/27, a principal preocupação recai sobre a persistência das doenças que afetam os pomares, como o greening e o cancro cítrico.
Esses fatores não apenas elevam os custos de produção, com a necessidade de manejo intensivo e substituição de plantas, como também limitam os ganhos de produtividade e a longevidade das áreas produtivas.
“A citricultura entra em 2026 com uma safra volumosa, mas marcada por perdas e pela necessidade de maior controle sanitário, o que encarece a atividade”, apontam os pesquisadores do Cepea.
O desenvolvimento da safra 2026/27 deve ser impactado pelo clima heterogêneo entre as regiões produtoras.
Enquanto algumas áreas registram chuvas irregulares, outras experimentam condições mais favoráveis, o que deve resultar em desenvolvimento desigual das lavouras — principalmente na primeira florada, etapa essencial para a formação dos frutos.
A segunda florada, porém, vem ocorrendo sob melhores condições climáticas na maioria das regiões, o que pode levar a mais uma safra tardia, a exemplo do que ocorreu em 2025/26.
Mesmo com a boa qualidade das frutas colhidas na safra atual, os desafios fitossanitários e comerciais apontam para um ano de margens apertadas e gestão cautelosa.
A recomendação dos analistas do Cepea é que os citricultores mantenham atenção à eficiência produtiva, buscando otimizar o uso de insumos e reduzir perdas diante do cenário de mercado mais competitivo e custos elevados.
Fonte: Portal do Agronegócio
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