Publicado em: 02/04/2026 às 20:00hs
O mercado mundial de cacau iniciou 2026 em um novo ciclo, marcado pela transição de um cenário de déficit para superávit na oferta. Após o forte choque de preços registrado entre 2024 e 2025, os fundamentos começam a indicar uma normalização, embora ainda acompanhada de elevada volatilidade.
Essa mudança ocorre, principalmente, devido à retração da demanda global — evidenciada pela queda na moagem — e não por uma recuperação robusta da produção, o que mantém o mercado sensível a oscilações.
A safra 2024/25 registrou aumento significativo na produção mundial de cacau, com crescimento de cerca de 11%, favorecido por melhores condições climáticas na África e na América do Sul.
Com isso, o balanço global voltou ao campo positivo:
A recomposição dos estoques globais também avança, indicando um mercado mais equilibrado no médio prazo, desde que as condições climáticas permaneçam favoráveis, especialmente no Oeste Africano.
Apesar do aumento da oferta, o principal fator de ajuste no mercado foi a retração da demanda. O consumo industrial caiu diante dos preços elevados da matéria-prima, refletindo diretamente na redução da moagem nos principais polos consumidores.
Na Europa, por exemplo:
Esse movimento indica um racionamento via preços, com indústrias ajustando formulações e reduzindo o uso de cacau.
O mercado internacional viveu uma forte oscilação recente. Antes de 2024, os preços operavam entre US$ 2.000 e US$ 3.000 por tonelada. Esse padrão foi rompido com a disparada das cotações, que chegaram a superar US$ 10.000 por tonelada entre o fim de 2024 e o início de 2025.
Com a normalização parcial da oferta e queda da demanda, os preços recuaram ao longo de 2025 e 2026:
Mesmo com a correção, o mercado segue volátil e sensível a fatores climáticos e revisões de oferta.
A produção global de cacau permanece altamente concentrada na África Ocidental, responsável por mais de 70% da oferta mundial.
Essa concentração traz riscos estruturais relevantes, como:
Mesmo com o retorno do superávit, esses fatores mantêm um prêmio de risco elevado no mercado.
No Brasil, o cenário combina redução da demanda industrial com aumento da oferta interna.
Em 2025:
Esse descompasso pressionou o mercado doméstico, levando o prêmio do cacau brasileiro a operar em campo negativo em relação ao mercado internacional.
Apesar da queda recente nas cotações internacionais, os preços do chocolate continuam elevados no Brasil, refletindo o repasse tardio dos custos ao longo da cadeia produtiva.
A tendência é de alívio gradual, mas ainda com impacto relevante para o consumidor final, especialmente em períodos de maior demanda, como a Páscoa.
As projeções indicam continuidade do ciclo de recuperação da oferta global, com destaque para a produção na África Ocidental, especialmente em países como Costa do Marfim e Gana.
O aumento da produção, combinado com crescimento moderado da demanda, deve:
Ainda assim, o mercado deve permanecer sensível a eventos climáticos e revisões de safra.
Entre os principais pontos de atenção para o mercado de cacau estão:
No Brasil, o clima também será determinante, especialmente na região sul da Bahia, onde eventos climáticos podem impactar diretamente a produção.
Embora o mercado de cacau caminhe para um cenário mais equilibrado, com retorno do superávit, a combinação de fatores estruturais, climáticos e de demanda ainda sustenta um ambiente de elevada volatilidade.
A tendência é de preços mais acomodados em relação aos picos recentes, mas ainda acima da média histórica, com o comportamento do mercado condicionado à evolução da safra global e da demanda industrial ao longo de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
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