Publicado em: 20/02/2026 às 14:43hs
O mercado internacional de cacau voltou a registrar preços próximos ou inferiores aos níveis reais anteriores à crise de 2023, devolvendo parte do prêmio que sustentava as negociações globais. O movimento cria uma oportunidade estratégica para indústrias planejarem custos e travarem compras para 2026, garantindo maior previsibilidade.
A queda recente foi influenciada principalmente por Gana, que implementou alterações no mecanismo de financiamento das compras de cacau. O país reduziu o preço mínimo pago ao produtor e passou a financiar parte do fluxo comercial por meio de títulos domésticos, com pagamento equivalente a 70% do valor FOB diretamente ao produtor.
Segundo Caio Santos, consultor em gerenciamento de riscos da StoneX, a medida deve facilitar o escoamento da safra, reduzir a retenção e diminuir riscos de originação no curto prazo, favorecendo indústrias que dependem de regularidade no abastecimento.
Enquanto Gana ajusta sua política, a Costa do Marfim mantém o preço mínimo em CFA 2.800/kg até o fim da safra principal, em 31 de março. Esse descompasso entre os dois maiores produtores globais pode gerar fluxo informal de cacau entre fronteiras, afetando o timing de embarques e diferenciais regionais, pontos monitorados de perto por compradores industriais.
As condições climáticas atuais têm sido favoráveis para a safra intermediária na região, com chuvas dentro da média histórica. No entanto, projeções indicam uma possível transição de La Niña para um cenário neutro, elevando temperaturas e mantendo o risco climático como fator de atenção para o segundo semestre de 2026, principalmente para indústrias que dependem de estabilidade na oferta física.
Exportações do Equador e Diversificação de Fornecedores
Fora da África, o Equador apresentou queda expressiva nas exportações de janeiro, totalizando 34.519 toneladas, uma redução anual de 36,8%. Apesar da retração mensal, o acumulado da temporada segue acima do ano anterior, indicando oportunidade de diversificação geográfica para indústrias que buscam reduzir riscos e dependência de um único fornecedor.
Dados de moagem na Costa do Marfim mostraram retração anual de 2,1% em janeiro, evidenciando a sensibilidade do consumo local a preços elevados. Em termos reais, deflacionados pelo índice global de alimentos da FAO, os preços atuais retornaram à faixa histórica de referência, abaixo de picos observados em 2002, 2010 e 2015.
Com a correção recente, as cotações de cacau oferecem uma janela estratégica para travar parte das compras de 2026 a preços mais equilibrados. Indústrias podem utilizar instrumentos de proteção financeira, como opções, para se proteger de riscos climáticos, ajustes de políticas de preço e possíveis distorções de curto prazo nos diferenciais regionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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