Batata, cebola, alface e mamão ficam mais baratos nas Ceasas em agosto
Maior oferta pressionou as cotações no atacado, com quedas médias de 11,6% para a batata, 13,8% para a cebola, 14,8% para a alface e 10,9% para o mamão
Publicado em: 23/09/2026 às 10:50hs
Os preços da batata, da cebola, da alface e do mamão recuaram nas principais Centrais de Abastecimento do Brasil em agosto. O movimento foi influenciado, principalmente, pelo aumento da oferta e pelo avanço das safras em importantes regiões produtoras.
Os dados fazem parte do 9º Boletim Hortigranjeiro, divulgado nesta terça-feira (22) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O levantamento acompanha os preços e os volumes comercializados nas Ceasas brasileiras por meio do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort).
Entre as hortaliças, a batata registrou queda média de 11,6%, enquanto cebola e alface recuaram 13,8% e 14,8%, respectivamente. No mercado de frutas, o mamão ficou 10,9% mais barato. Na direção oposta, o tomate apresentou valorização de 18,13%.
Preço da batata cai 11,6% com aumento da oferta
A batata ficou mais barata em todas as Ceasas monitoradas pela Conab. A cotação média ponderada caiu 11,6% em agosto, para R$ 2,63 por quilograma.
A redução ocorre após uma sequência de altas iniciada em fevereiro. Conforme a Conab, o movimento de baixa observado nos dois últimos meses está relacionado ao aumento da disponibilidade do produto, embora a oferta de agosto tenha ficado abaixo da registrada em julho.
As maiores quedas foram verificadas em Rio Branco, no Acre, com recuo de 46,35%; São José, em Santa Catarina, com 25,66%; Curitiba, no Paraná, com 22,83%; e Rio de Janeiro, com 20,33%.
Apesar da desvalorização mensal, a batata continua mais cara do que em agosto de 2025. A elevada oferta observada no ano passado pressionou as cotações e desestimulou a manutenção do mesmo nível de produção em 2026.
Cebola recua em nove das dez Ceasas pesquisadas
O preço da cebola caiu em nove dos dez mercados atacadistas analisados. A redução média ponderada alcançou 13,8% em agosto.
Embora a oferta total tenha permanecido praticamente estável em relação a julho, houve aumento dos embarques originados nos principais estados produtores. Minas Gerais e São Paulo responderam, juntos, por metade do volume comercializado nas Ceasas avaliadas.
As quedas mais expressivas foram registradas em Recife, com 25,45%; Rio de Janeiro, com 18,21%; e Curitiba, com 17,32%.
Mesmo com o recuo, o preço médio da cebola permanece acima do observado em 2025, período marcado pela recuperação da produção. Segundo a Conab, o comportamento atual também reflete estratégias adotadas pelos produtores para controlar a oferta.
Safra de inverno reduz preço da alface
A alface ficou mais barata em seis Ceasas, resultando em queda média ponderada de 14,8%. As oscilações variaram de redução de 31,22% no Rio de Janeiro a aumento de 15,45% em Recife.
A quantidade ofertada diminuiu 4,3% em relação a julho, mas a produção da safra de inverno foi suficiente para atender à demanda. As chuvas registradas em algumas áreas produtoras não provocaram impactos significativos sobre a produção ou a colheita.
Cenoura mantém estabilidade no atacado
Depois da queda observada em julho, o preço da cenoura apresentou relativa estabilidade em agosto. A média ponderada avançou apenas 0,88%, apesar de o produto ter ficado mais barato em seis das dez Ceasas pesquisadas.
As maiores reduções ocorreram em São José, com 29,45%; Rio de Janeiro, com 18,74%; e Vitória, no Espírito Santo, com 12,30%.
Na direção contrária, Fortaleza registrou elevação de 21,99%, enquanto a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) apresentou alta de 10,92%.
Tomate sobe 18,13% após redução da oferta
O tomate foi a única hortaliça analisada que apresentou valorização na maioria dos entrepostos. A média ponderada das cotações subiu 18,13% em agosto.
Após o pico da safra de inverno, registrado em julho, a oferta e os volumes comercializados diminuíram. Condições climáticas que afetaram o processo de maturação dos frutos também contribuíram para restringir a disponibilidade e elevar os preços.
As variações entre as Ceasas foram expressivas. Em São José, o tomate recuou 55,50%, enquanto São Paulo registrou alta de 38,58%.
Mamão fica 10,9% mais barato com maior disponibilidade
A comercialização total de frutas nas Ceasas cresceu 4,5% em agosto. Entre os produtos monitorados, o mamão apresentou queda média de 10,9% e ficou mais barato em 70% dos entrepostos.
As maiores reduções ocorreram em Vitória, com 43,74%, e São Paulo, com 23,20%.
A queda das cotações foi provocada pelo aumento da oferta das variedades formosa e papaya, especialmente com a intensificação dos envios provenientes do sul da Bahia e do norte do Espírito Santo, duas das principais regiões produtoras do País.
Maior oferta também pressiona melancia e laranja
A melancia registrou queda média de 3,24%. Mesmo com o aumento do consumo provocado pelas temperaturas mais elevadas, o avanço da oferta pressionou as cotações.
Goiás e Tocantins ampliaram o fornecimento da fruta e devem permanecer entre os principais responsáveis pelo abastecimento nacional até outubro. As maiores quedas de preços ocorreram em São Paulo, com 9%, e Vitória, com 8%.
De acordo com a Conab, a elevada produtividade continua garantindo rentabilidade aos produtores, apesar do aumento dos custos de produção.
A laranja encerrou agosto com recuo médio de 0,95%. As cotações variaram entre queda de 14,93% em São José e alta de 3,05% em Belo Horizonte.
A oferta destinada às centrais atacadistas aumentou 1,68% no cinturão citrícola na comparação com julho, ampliando a disponibilidade da fruta no atacado e no varejo.
Maçã e banana registram alta na média mensal
Depois de um período de desvalorização, a maçã apresentou alta média de 2,72%. O movimento está associado ao consumo gradual dos estoques mantidos em câmaras frias e ao crescimento da comercialização.
A maior produtividade da safra 2025/26 ampliou a disponibilidade das variedades fuji e gala, especialmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Entre os mercados monitorados, as variações foram de queda de 41,39% em Rio Branco a alta de 10,54% em Vitória.
A banana ficou mais barata em seis das dez Ceasas avaliadas, mas, ainda assim, registrou o maior aumento médio entre as frutas analisadas: 4,32%.
Oscilações de oferta, demanda e qualidade ao longo do mês influenciaram a formação das cotações. As principais quedas ocorreram em Rio Branco, com 9,5%, e Fortaleza, com 8,71%. O volume total comercializado permaneceu estável em agosto.
Exportações de frutas e hortaliças superam US$ 1 bilhão
As exportações brasileiras de frutas e hortaliças também avançaram em 2026. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que os embarques alcançaram 789 mil toneladas entre janeiro e agosto, crescimento de 10,6% em relação ao mesmo período de 2025.
O faturamento chegou a US$ 1,01 bilhão, alta de 20% na comparação anual.
Entre os produtos com expansão nas vendas externas estão a manga, com crescimento de 30,5%; o abacate, com 102,5%; o pêssego, com 83,3%; e a maçã, com 254%. Mamão e melancia também ampliaram os embarques no período.
Boletim aborda reaproveitamento de resíduos nas Ceasas
Além dos preços e volumes comercializados, o boletim da Conab apresenta uma análise sobre a gestão dos resíduos sólidos orgânicos nas Centrais de Abastecimento sob a perspectiva da economia circular.
O estudo aborda os princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos e as possibilidades de transformar resíduos em novos recursos, associando sustentabilidade à eficiência dos sistemas de produção, comercialização e abastecimento alimentar.
A base Conab/Prohort reúne informações sobre 117 frutas e 123 hortaliças, abrangendo mais de mil produtos e variedades comercializados nos principais mercados atacadistas brasileiros.
Fonte: Portal do Agronegócio
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