Publicado em: 12/06/2023 às 17:40hs
A irrigação é feita através de gotejamento e, antes do atendimento pelo técnico de campo Humberto Baumgarten, era feita com uma caixa d’água de 1000 litros. Hoje, foi feito o aumento para uma caixa de 5 mil litros. Além disso, durante o dia, era feita a irrigação em dois turnos. Durante a manhã com uma solução nutritiva e, à tarde, apenas com água. Agora, nas duas ocasiões é usada a solução nutritiva. “Instalamos um dreno, que retorna o excesso de líquido para a caixa, e isso tem evitado muitos vazamentos e danos ao circuito de irrigação, o que levava a perdas de nutrientes e prejuízos com a manutenção frequente do sistema de irrigação”, contou Humberto.
O dono da propriedade, Francisco Gomes, produz morango há 20 anos. Pouco antes de entrar para a assistência técnica e gerencial, ele implantou o plantio suspenso, o que melhorou o manejo, mas ainda sofria muito com algumas pragas, como o ácaro-rajado. Com a melhoria na nutrição da planta e implantação de agentes biológicos, praticamente erradicou o problema de sua plantação.
“Desde o início do ATeG, mudou muito meu produto, melhorou a nutrição, a adubação e a qualidade. Aqui, produzimos cerca de 20 mil quilos de morango por ano. Antes não tínhamos nenhum tipo de assessoria, com o Humberto, as coisas ficaram mais tranquilas”, contou Francisco.
Humberto também conseguiu gerar economia para a família. A adubação antes era feita com produtos comerciais prontos, que tinham um custo médio de 22 reais para cada 1000 litros de fertilização. Agora, esse valor chegou a apenas R$ 10,70 uma redução de 51%.
“Inserimos na propriedade a adubação com nitrato de cálcio, nitrato de potássio, NPK Map e sulfato de magnésio. Ensinei a eles como medir a quantidade necessária de cada produto e apenas com essa otimização, calculamos uma economia anual de cerca de 18 mil reais”, ressaltou Humberto.
As mudas plantadas na propriedade do Francisco são da espécie de morango monterey, uma variedade com alto teor de açúcar e que atinge tamanhos que surpreendem aos olhos. São duas estufas com cerca de 20 mil pés, produzindo quase um quilo cada.
Foi plantando morangos que o Francisco sustentou a família e criou os filhos. Hoje, com 57 anos, viu mudar muita coisa no trabalho rural. Novas tecnologias auxiliam o plantio e a colheita. As preocupações com qualidade de vida de quem trabalha na lida também são outras. “Com o tempo as coisas ficaram mais tranquilas. Melhorou a mão de obra e o controle de doenças, o manejo, o jeito de trabalhar. Com o plantio suspenso, por exemplo, o peso do corpo não fica todo nas pernas, até para arrumar quem trabalha na colheita é mais fácil. Quem deseja trabalhar com o campo, venha, pois é bom demais”, conta Francisco.
Apesar das melhorias na propriedade e da qualidade das plantas, o maior orgulho do Francisco é ter ao lado, na lida diária, o filho, Gustavo Henrique, de 23 anos. Após terminar os estudos, Gustavo se arriscou na vida urbana. Arrumou um emprego em Barbacena e não pensava em voltar. Porém a realidade da vida na cidade o fez ver o valor daquilo que tinha no campo.
“Muitas vezes as pessoas vão cansando da lavoura, mas o campo é um ótimo lugar para trabalhar. A tecnologia hoje já ajuda muito. Muitas vezes, tem-se uma ideia muito pior do que é de fato. Quando vemos a realidade da vida profissional, de trabalhar para outras pessoas, com carteira assinada, vemos que isso aqui (o campo) dá muito mais qualidade de vida. É muito mais tranquilo. Fora o silêncio, a tranquilidade e a paz que o campo te dá para trabalhar”, contou Gustavo.
Além do plantio, Gustavo auxilia na implantação de tecnologias alternativas, que melhoram o manejo das plantas, como na compra de um dispositivo que ele encontrou na internet, que emite uma frequência sonora e diminuiu drasticamente a perda de frutas para pássaros. Ele diz que agora não pretende mais sair novamente da vida rural. “Eu voltei para as minhas origens, trabalhei fora, vi o mundo, não tive boas experiências e voltei para me acertar no campo. É muito prazeroso, chegar na lavoura e ver a planta com vigor, é a melhor coisa que tem, é igual um filho para você”, diz ele, sorrindo.
O Sistema Faemg Senar tem entre seus serviços o Programa Sucessão no Campo, onde é incentivada e estimulada nos jovens a sucessão, preservação e a continuidade dos negócios familiares no campo. O produtor que tiver interesse em participar, deve procurar o sindicato rural da sua cidade. Para saber mais, acesse o site e tenha informações sobre o programa.
Fonte: FAEMG
◄ Leia outras notícias