Publicado em: 26/02/2026 às 19:00hs
A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) emitiu um alerta sobre os possíveis efeitos negativos de medidas restritivas na cadeia produtiva do cacau. Segundo a entidade, embora reconheça a preocupação legítima do governo federal com a recente queda do preço pago ao produtor, é essencial considerar o papel da indústria no equilíbrio do setor e na manutenção do abastecimento interno.
A AIPC destacou que o Brasil não produz cacau em volume suficiente para suprir o consumo nacional, sendo necessária a importação da amêndoa para garantir o funcionamento da indústria e o fornecimento de produtos derivados ao mercado interno.
A entidade reforçou ainda que o preço da amêndoa é determinado pelo mercado internacional, com base nas condições globais de oferta e demanda e nas cotações das bolsas internacionais.
“Não é correto atribuir à indústria brasileira — grande parte dela instalada na Bahia — a responsabilidade pela fixação dos preços”, informou a AIPC em nota.
De acordo com a associação, a adoção de medidas restritivas ou intervencionistas voltadas à indústria não resolve as causas estruturais da queda de preços e pode gerar efeitos colaterais graves.
Entre os riscos citados estão:
A entidade também ressalta que intervenções desse tipo já se mostraram ineficazes em outros momentos da história econômica, agravando desequilíbrios produtivos em vez de solucioná-los.
A AIPC reafirma o papel da indústria processadora como elo essencial da cadeia produtiva do cacau, responsável por gerar valor agregado e sustentar a renda do produtor.
Com base nisso, a associação propõe a criação de uma mesa técnica nacional reunindo representantes do governo, produtores e indústria, com o objetivo de desenvolver soluções estruturais, eficazes e sustentáveis para o setor.
A entidade defende que o diálogo e o planejamento conjunto são os caminhos mais seguros para proteger os produtores e fortalecer toda a cadeia do cacau — desde a produção até a exportação de derivados.
Fonte: Portal do Agronegócio
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