Flores

Sequenciamento inédito no Brasil avança no combate à murcha do ciclame e reforça controle de doenças em plantas ornamentais

Pesquisa da Embrapa revela o genoma do fungo que afeta o ciclame e abre caminho para estratégias sustentáveis de controle e prevenção


Publicado em: 26/02/2026 às 13:30hs

Sequenciamento inédito no Brasil avança no combate à murcha do ciclame e reforça controle de doenças em plantas ornamentais
Embrapa realiza primeiro sequenciamento genético do fungo causador da murcha do ciclame no Brasil

Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente alcançaram um marco científico ao sequenciar, pela primeira vez no país, o genoma do fungo Fusarium oxysporum f. sp. cyclaminis (Focy), responsável pela murcha do ciclame — doença que atinge uma das principais plantas ornamentais cultivadas no Brasil.

O avanço representa um passo decisivo no controle do patógeno, que em 2023 provocou perdas superiores a 70% na produção de Cyclamen persicum em estufas de Holambra, polo reconhecido como um dos maiores centros de flores e plantas ornamentais das Américas.

Doença ameaça a produção e causa prejuízos ao setor

O ciclame, amplamente valorizado pelas flores coloridas e longa floração, é um dos pilares do setor de plantas ornamentais no país. O surto de 2023 levou à identificação do Focy como agente causal da doença e ao sequenciamento da cepa CMAA 1919, hoje depositada na Coleção de Culturas de Microrganismos de Importância Ambiental e Agrícola da Embrapa Meio Ambiente.

Mais de 4 mil plantas apresentaram sintomas como amarelamento das folhas, murcha e morte dos bulbos, o que elevou custos e exigiu reforço nos tratamentos fitossanitários.

Sequenciamento genômico fortalece pesquisa e manejo da doença

Segundo o pesquisador Bernardo Halfeld-Vieira, o sequenciamento fornece informações fundamentais sobre biologia, patogenicidade e evolução do fungo.

“Esses dados permitem desenvolver métodos mais precisos para identificar, monitorar e controlar a doença nas áreas de produção”, explica o cientista.

O também pesquisador André May reforça que a análise genômica ajuda a compreender os genes relacionados à virulência e à adaptação ambiental, abrindo caminho para estratégias de manejo mais eficazes e sustentáveis.

Impactos econômicos e importância para o setor de flores

A produção de flores em vasos representa cerca de 40% do faturamento do setor de floricultura nacional, movimentando aproximadamente R$ 19,5 bilhões por ano. Regiões como Holambra e municípios vizinhos concentram produtores altamente tecnificados, responsáveis por grande parte desse mercado.

O novo conhecimento sobre o genoma do Focy contribui para a criação de variedades resistentes, o uso racional de fungicidas específicos e o aperfeiçoamento de técnicas de diagnóstico precoce, reduzindo perdas e custos de produção.

Genética aplicada ao controle de patógenos

Estudos com outras cepas do gênero Fusarium, como F. oxysporum f. sp. cubense — agente do mal-do-Panamá em bananas —, já mostraram o potencial do sequenciamento genômico no desenvolvimento de soluções mais eficazes. Com base nesses resultados, os pesquisadores esperam aplicar estratégias semelhantes ao manejo da murcha do ciclame.

A pesquisadora Kátia Nechet, que também participou do estudo, ressalta que o avanço representa uma mudança de paradigma.

“Antes, a identificação do fungo era feita apenas com base em sintomas e testes de patogenicidade. Agora, temos evidências genéticas concretas que confirmam a presença do Focy e fortalecem futuras pesquisas sobre sua disseminação”, afirma.

Futuro da floricultura e sustentabilidade da produção

A descrição completa do genoma da cepa CMAA 1919 cria uma base científica sólida para novas pesquisas colaborativas e políticas de prevenção, além de apoiar a integração entre biotecnologia e práticas sustentáveis no setor.

Com o acesso a informações genéticas detalhadas, será possível desenvolver ferramentas de diagnóstico rápido, programas de melhoramento genético e estratégias de controle mais direcionadas, fortalecendo a competitividade e a sustentabilidade da floricultura brasileira.

A cooperação entre centros de pesquisa e produtores é apontada como essencial para antecipar riscos sanitários e reduzir impactos econômicos e ambientais no cultivo de plantas ornamentais de alto valor comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

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