Feijão e Pulses

Mercado de feijão perde referência de preços e enfrenta baixa liquidez no Brasil

Queda nas cotações, ausência de compradores e redução da produção projetada aumentam incertezas no mercado de feijão


Publicado em: 27/03/2026 às 14:30hs

Mercado de feijão perde referência de preços e enfrenta baixa liquidez no Brasil

O mercado brasileiro de feijão atravessou a semana com forte desorganização na formação de preços, baixa liquidez e negociações pontuais. O cenário, marcado por ajuste baixista técnico, reflete tanto a retração da demanda quanto a dificuldade de escoamento de produtos de maior qualidade.

Preço do feijão perde referência e negociações migram para o pós-pregão

De acordo com o analista Evandro Oliveira, o mercado consolidou um movimento de queda nos preços ao longo da semana, acompanhado de redução significativa no volume de negócios.

A dinâmica atual mostra uma migração quase total das negociações para o período de pós-pregão, reduzindo a relevância das negociações realizadas nas madrugadas.

Esse comportamento reforça um ambiente de formação de preços mais tático, baseado em negociações pontuais e menos previsíveis.

Feijão carioca registra queda nos preços e dificuldade de escoamento

As cotações do feijão carioca seguiram em queda, com recuo nas indicações de compra:

  • Tipo extra nota 9: cerca de R$ 360 por saca CIF São Paulo
  • Padrão 8,5: aproximadamente R$ 340 por saca

O movimento confirma o deslocamento da curva de preços para patamares mais baixos. Enquanto o segmento comercial apresentou maior giro, impulsionado pelo consumo, os grãos de qualidade superior enfrentaram dificuldades de comercialização.

Nas regiões produtoras, a pressão também é evidente, com preços para grãos intermediários variando entre R$ 284 e R$ 288 por saca FOB em Goiás e no Paraná.

Mercado opera em duas velocidades e sofre impacto de grãos defeituosos

O mercado segue dividido entre dois comportamentos distintos. De um lado, há sustentação seletiva para produtos de maior qualidade; de outro, uma base fragilizada, pressionada pelo aumento da oferta de grãos defeituosos.

Esse “efeito contágio” tem impactado diretamente a formação de preços, levando compradores a adotarem uma postura mais defensiva nas negociações.

Feijão preto perde suporte e enfrenta ausência de compradores

O segmento de feijão preto apresentou um cenário ainda mais desafiador, com deterioração acentuada na estrutura de preços e praticamente nenhuma liquidez.

Durante a semana, foram registrados poucos ou nenhum negócio relevante, com preços considerados apenas nominais, ou seja, sem validação efetiva no mercado.

Nas origens, as cotações variaram entre:

  • R$ 164 por saca FOB em Santa Catarina
  • R$ 197 por saca FOB no interior de São Paulo

A demanda segue retraída, sem urgência de recomposição de estoques, enquanto a indústria atua de forma pontual.

Produção menor pode levar a escassez na safra 2026/27

Apesar do cenário atual de fraqueza nos preços, o mercado já começa a sinalizar uma possível mudança estrutural na oferta.

A produção nacional de feijão para a safra 2026/27 está estimada em cerca de 2,95 milhões de toneladas, com destaque para a forte retração da primeira safra na região Sul do país.

A segunda safra, especialmente no Paraná, também apresenta redução de área e produção, mesmo com ganhos pontuais de produtividade. Já as regiões Norte e Nordeste não devem compensar essa queda.

Estoques apertados e maior risco de volatilidade

No Rio Grande do Sul, a colheita avança sob impacto de condições climáticas adversas, o que compromete os volumes produzidos.

Com isso, a relação entre estoque e consumo tende a atingir níveis críticos, reduzindo a capacidade do mercado de absorver choques de oferta.

A perspectiva é de um mercado mais ajustado nos próximos meses, com maior sensibilidade a variações na produção e potencial de aumento da volatilidade nos preços.

Perspectiva: mercado pode mudar de direção no médio prazo

Embora o cenário atual seja de preços pressionados e baixa liquidez, a tendência estrutural aponta para um possível aperto na oferta no ciclo 2026/27.

Esse movimento pode alterar o equilíbrio do mercado, criando condições para recuperação das cotações no médio prazo, especialmente se houver redução mais acentuada da produção.

Fonte: Portal do Agronegócio

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