Publicado em: 29/08/2025 às 18:00hs
O mercado de feijão apresentou cenários distintos ao longo de agosto, segundo análise de Evandro Oliveira, da Safras & Mercado. O feijão carioca registrou firmeza nos preços, impulsionado pela seletividade dos compradores e pela oferta limitada em algumas regiões.
A chegada da terceira safra, principalmente em Minas Gerais e Goiás, foi rapidamente absorvida pelo mercado, enquanto a oferta do Paraná caiu significativamente. “Isso tornou os feijões comerciais (notas 7,5 e 8) escassos na Bolsa, fazendo com que os compradores redirecionassem sua atenção para esses padrões”, explicou Oliveira.
O analista destacou ainda que, mesmo com pouca movimentação, vendas pontuais e para embarque sustentaram os preços. Um exemplo é a negociação de 4 mil sacas de feijão nota 8,5 para exportação. Os valores para os melhores lotes se mantiveram firmes, com o feijão extra em torno de R$ 245/saca e os comerciais entre R$ 180 e R$ 210/saca.
“Se a demanda se tornar inadiável, o mercado pode ensaiar uma nova alta”, acrescentou Oliveira.
O cenário do feijão preto é oposto. A safra praticamente alcançou 800 mil toneladas, enquanto o consumo anual é estimado em cerca de 500 mil toneladas, gerando excedentes que pressionam os preços.
Mesmo com aumento das exportações, a oferta interna permanece elevada. Em regiões produtoras do Sul do Paraná e do Nordeste Rio-grandense, os preços variaram entre R$ 116 e R$ 122/saca, bem abaixo dos custos de produção (aproximadamente R$ 180/saca) e do preço mínimo oficial de R$ 152,91/saca.
Oliveira alerta que a desvalorização representa um desincentivo ao plantio na próxima safra, indicando possível redução da área cultivada.
Uma iniciativa da Conab, com subvenção de R$ 21,7 milhões, pode escoar cerca de 15 mil toneladas de feijão e oferecer algum alívio aos produtores, embora ainda não tenha refletido nas cotações.
Além disso, o decreto de Santa Catarina, que reduz o ICMS de 7% para 0% a partir de setembro, deve baratear o produto no varejo e estimular o consumo. A expectativa é que a medida acelere o escoamento da produção acumulada, com efeitos já observáveis em outubro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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