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Feijão e Pulses

Feijão tem baixa liquidez, enquanto oferta pode cair 7,1% em 2027/28, aponta Safras

Compras lentas pressionam as cotações no curto prazo; projeção indica redução da produção e dos estoques, mesmo com expansão da área e aumento das importações.


Publicado em: 05/10/2026 às 17:30hs

Feijão tem baixa liquidez, enquanto oferta pode cair 7,1% em 2027/28, aponta Safras

O mercado brasileiro de feijão combina demanda retraída no curto prazo com perspectivas de menor disponibilidade na temporada comercial 2027/28. Nas regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a lentidão das compras do varejo reduz a reposição das indústrias e mantém a liquidez baixa. Para o próximo balanço comercial, a Safras & Mercado projeta queda de 7,1% na oferta total, com redução da produção e dos estoques.

Os dois cenários refletem momentos diferentes do mercado. Enquanto as negociações atuais são limitadas pelo menor interesse comprador, as estimativas futuras apontam uma margem mais estreita para absorver eventuais perdas de produtividade.

Demanda fraca dificulta sustentação dos preços do feijão

Segundo pesquisadores do Cepea, as indústrias têm priorizado o giro dos estoques diante do ritmo mais lento das aquisições pelo varejo. Esse comportamento diminui a necessidade de novas compras e restringe os negócios.

Em resposta, vendedores capitalizados procuram limitar a oferta para reduzir a pressão sobre as cotações.

No feijão-carioca, a demanda enfraquecida dificulta a manutenção dos preços praticados nas semanas anteriores. Para o feijão-preto tipo 1, o menor movimento comprador também provoca ajustes nas cotações após as altas recentes.

Área maior não deve compensar queda da produtividade

Para a temporada comercial 2027/28, a Safras & Mercado estima uma área cultivada de 2,650 milhões de hectares, aumento de 3% sobre os 2,573 milhões de hectares previstos para 2026/27.

O acréscimo de 77 mil hectares, porém, deve ser acompanhado por uma redução de 5% no rendimento médio, de 1.195 para 1.135 quilos por hectare. Com isso, a produção está projetada em 3,008 milhões de toneladas, queda de 2,2%.

Na avaliação de Evandro Oliveira, analista da consultoria, a expansão da área e o aumento das importações ajudam a compensar parte da redução, mas não são suficientes para recompor a disponibilidade.

Estoques menores são principal fator de aperto na oferta

A retração dos estoques tem peso decisivo no balanço projetado. O volume inicial de 2027/28 deve cair 65,8%, passando de 286,1 mil para 97,8 mil toneladas.

As importações, por sua vez, estão estimadas em 65 mil toneladas, avanço de 25%. O aumento representa 13 mil toneladas adicionais, volume considerado pequeno pelo analista diante das perdas combinadas de produção e estoques.

A oferta total deve ficar em 3,171 milhões de toneladas, redução de 242,2 mil toneladas em relação à temporada anterior.

Exportações devem recuar para preservar abastecimento interno

O consumo doméstico está projetado em 2,800 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo dos 2,820 milhões de toneladas estimados para 2026/27, uma queda de 0,7%.

O maior ajuste da demanda deverá ocorrer nas exportações. A Safras prevê embarques de 300 mil toneladas, recuo de 39,4% frente às 495 mil toneladas da temporada anterior.

Segundo Oliveira, das 215 mil toneladas de redução da demanda total, 195 mil toneladas — aproximadamente 91% — correspondem ao corte nas vendas externas. O balanço, portanto, prevê menor excedente exportável para preservar prioritariamente o abastecimento brasileiro.

Mesmo com esse ajuste, os estoques finais devem recuar 27,9%, para 70,6 mil toneladas. A relação entre estoque e consumo cairia de 3,5% para 2,5%.

“Este é o ponto mais sensível do balanço: 2027/28 começa com pouco estoque e termina com menos ainda”, afirma o analista.

Clima e sucessão das safras ampliam atenção à produtividade

Oliveira também destaca os possíveis efeitos do El Niño sobre a primeira safra 2026/27, acompanhada pelo mercado. Entre os riscos mencionados estão excesso de umidade, chuvas irregulares, dificuldades de manejo e perdas de qualidade e rendimento nas regiões mais expostas.

Condições adversas no encerramento da primeira safra podem ainda interferir na implantação da segunda. Atrasos na liberação das áreas, restrições à entrada de máquinas e mudanças no calendário de semeadura estão entre os pontos de atenção.

Na avaliação da Safras, o balanço projetado para 2027/28 terá maior dependência da produtividade e menor capacidade de absorver perdas, crescimento inesperado do consumo ou demanda adicional de exportação. Esse quadro contrasta com a fraqueza das compras atuais e reforça a importância de distinguir o comportamento imediato das cotações das perspectivas de abastecimento.

Fonte: Portal do Agronegócio

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