Feijão mantém preços firmes no Brasil com oferta limitada e compradores mais seletivos
Mercado de feijão carioca segue sustentado pela escassez de lotes de qualidade, enquanto feijão preto encontra equilíbrio entre oferta ajustada e demanda regular.
Publicado em: 10/07/2026 às 18:20hs
O mercado brasileiro de feijão encerrou a semana com comportamento firme, sustentado principalmente pela disponibilidade restrita de lotes de melhor qualidade e por uma comercialização mais técnica entre produtores, compradores e indústria.
Segundo análise da consultoria Safras & Mercado, o cenário atual é marcado pela forte diferenciação entre padrões, origem, qualidade e aproveitamento industrial, mantendo os preços em níveis elevados mesmo diante de uma demanda mais cautelosa.
O analista Evandro Oliveira destaca que os negócios seguem concentrados em reposições imediatas, enquanto vendedores permanecem firmes nas pedidas, especialmente para os produtos superiores.
“A comercialização tornou-se ainda mais técnica, com forte diferenciação entre padrões, origem e aproveitamento industrial”, avalia o analista.
Feijão carioca segue valorizado com baixa disponibilidade de lotes premium
No mercado de feijão carioca, a oferta restrita dos lotes de maior qualidade continua sendo o principal fator de sustentação das cotações.
A semana mais curta devido ao feriado estadual da Revolução Constitucionalista, em São Paulo, reduziu o volume de negócios e a disponibilidade física, mas não provocou pressão sobre os preços.
De acordo com a Safras & Mercado, os feijões classificados como Extra, especialmente notas 9 e 9,5, permanecem escassos, com negociações realizadas principalmente por amostras e programações de embarque.
Os melhores lotes seguem direcionados à indústria, mantendo referências elevadas no mercado paulista:
Feijão carioca Extra nota 9 e 9,5: entre R$ 400 e R$ 440 por saca CIF São Paulo;
- Pedidas para nota 9: próximas de R$ 430 por saca;
- Pedidas para nota 10: próximas de R$ 445 por saca.
A entrada gradual da terceira safra 2025/26 começou a ampliar a disponibilidade de padrões superiores, mas sem gerar excedentes capazes de pressionar o mercado.
Qualidade define preços no mercado de feijão comercial
No segmento comercial, os padrões 7,5 e 8 continuam concentrando a maior parte da liquidez.
A formação dos preços permanece diretamente relacionada a fatores como:
- uniformidade dos grãos;
- origem do produto;
- índice de defeitos;
- qualidade industrial.
Segundo Oliveira, a oferta de feijões comerciais apresenta redução gradual, enquanto os primeiros lotes irrigados começam a encontrar boa receptividade por parte das indústrias.
No mercado FOB (preço na origem), o interior paulista segue como principal referência nacional, acompanhado por regiões produtoras como:
- Noroeste de Minas Gerais;
- Triângulo Mineiro;
- Goiás.
O cenário indica manutenção das cotações em patamares historicamente elevados, sem sinais consistentes de queda no curto prazo.
Feijão preto mantém estabilidade com oferta ajustada
O mercado de feijão preto apresentou comportamento mais estável durante a semana, com liquidez moderada e negociações ocorrendo de maneira organizada.
Apesar de um ritmo mais lento, o escoamento apresentou melhora gradual, permitindo equilíbrio entre oferta e demanda.
Os compradores seguem atuando de forma disciplinada, enquanto produtores mantêm uma postura firme diante da menor disponibilidade dos melhores lotes.
“O mercado segue equilibrado entre oferta ajustada e demanda regular, enquanto a velocidade das comercializações passa a ser fator determinante para o comportamento dos preços nas próximas semanas”, destaca Evandro Oliveira.
Redução da produção no Paraná sustenta mercado de feijão preto
Entre os principais fatores de sustentação para o feijão preto está a menor disponibilidade projetada após a segunda safra 2025/26 no Paraná.
A redução da área cultivada, combinada com perdas de produtividade provocadas por condições climáticas adversas, limitou a oferta e reforçou a expectativa de menor disponibilidade durante o período de comercialização.
Segundo a Safras & Mercado:
- a área cultivada no Paraná recuou cerca de 34%;
- a produção apresentou queda estimada em 37%;
- problemas climáticos reduziram o potencial produtivo das lavouras.
No mercado FOB, as principais referências permanecem:
- Interior de São Paulo: até R$ 247 por saca;
- Noroeste do Rio Grande do Sul: cerca de R$ 230 por saca;
- Sul do Paraná: aproximadamente R$ 208 por saca;
- Oeste de Santa Catarina: aproximadamente R$ 198 por saca.
Perspectivas para o mercado de feijão nas próximas semanas
A expectativa é de continuidade de um mercado sustentado, com preços dependentes principalmente da disponibilidade de lotes de qualidade e do ritmo de reposição dos compradores.
No feijão carioca, a escassez dos melhores padrões mantém a firmeza das cotações, enquanto no feijão preto o equilíbrio entre oferta reduzida e demanda regular deve limitar movimentos bruscos de baixa.
A velocidade das negociações, a entrada de novos lotes e o comportamento da indústria serão os principais fatores acompanhados pelo mercado nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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