Publicado em: 03/07/2026 às 18:40hs
O mercado brasileiro de feijão encerrou o mês de junho com comportamento distinto entre as variedades carioca e preta. Enquanto o feijão carioca manteve preços firmes sustentados pela baixa oferta de grãos de alta qualidade, o feijão preto seguiu pressionado por demanda enfraquecida e baixa liquidez nas negociações.
O cenário reflete a combinação entre impactos climáticos na produção da segunda safra, ritmo lento de reposição das empacotadoras e postura mais cautelosa dos compradores no mercado físico.
O feijão carioca apresentou sustentação de preços ao longo de junho, impulsionado principalmente pela escassez de lotes classificados como Extra, especialmente nas notas 9 e 9,5.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a menor disponibilidade de grãos de alta qualidade, agravada por problemas climáticos na segunda safra, manteve vendedores firmes nas pedidas, enquanto compradores atuaram de forma seletiva.
“O mercado físico operou com baixa liquidez, predominância de negociações por amostras e embarques programados, refletindo forte seletividade comercial”, destacou o analista.
A segunda safra do feijão encerrou com perdas relevantes no Paraná, onde geadas, excesso de umidade e instabilidades climáticas comprometeram produtividade e qualidade, elevando a participação de grãos manchados e comerciais.
Em contrapartida, a entrada da terceira safra irrigada começou a ampliar gradualmente a oferta em estados como Minas Gerais, Goiás e Bahia, embora ainda sem volume suficiente para alterar de forma significativa o equilíbrio do mercado.
Mesmo com variações pontuais, o mercado manteve estabilidade com viés de firmeza ao longo de junho. Os principais níveis observados foram:
De acordo com o analista, a evolução dos preços no curto prazo dependerá da velocidade de entrada da terceira safra, do comportamento das empacotadoras e da capacidade de absorção da demanda varejista sem pressão sobre as cotações.
O mercado do feijão preto seguiu um padrão diferente, marcado por baixa liquidez, demanda fraca e negociações pontuais ao longo de todo o mês de junho.
As empacotadoras operaram com estoques suficientes e realizaram apenas compras pontuais, reduzindo significativamente o ritmo de negócios no mercado físico.
Mesmo com redução na oferta de grãos Extra, a predominância de feijão comercial disponível no mercado impediu uma recuperação consistente dos preços.
Segundo Evandro Oliveira, o comportamento do mercado foi caracterizado por:
“O comportamento das negociações foi marcado por operações isoladas, baixo giro e ausência de impulso suficiente para alterar o equilíbrio predominante durante o mês”, afirmou o analista.
As referências de preços do feijão preto permaneceram relativamente estáveis durante junho:
Para as próximas semanas, o desempenho do mercado deve depender de fatores como:
O cenário do feijão no Brasil permanece marcado por um contraste entre a firmeza do feijão carioca, sustentado pela escassez de qualidade, e a fragilidade do feijão preto, pressionado por demanda limitada. O equilíbrio entre oferta e consumo seguirá ditando o comportamento dos preços nas próximas semanas no mercado físico nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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