Publicado em: 23/02/2026 às 17:00hs
As exportações brasileiras de amendoim descascado atingiram 311 mil toneladas em 2025, o maior volume das últimas décadas e um crescimento de 37% em relação a 2024, quando o país exportou aproximadamente 227 mil toneladas.
Em valores, o resultado foi igualmente expressivo: o Brasil registrou US$ 367 milhões em vendas externas, cerca de 2% acima do total obtido em 2024 (US$ 360 milhões). Os dados são do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
O desempenho reforça o papel do amendoim como produto versátil e de forte presença na mesa do consumidor, seja em sua forma verde e cozida, torrada e salgada, em doces como a paçoca ou na forma de óleo vegetal.
A Rússia manteve a liderança como principal destino das exportações de amendoim descascado, com 22% de participação nas vendas, seguida pela China (20%) e pela Argélia (12%).
De acordo com a pesquisadora Renata Martins Sampaio, do IEA, a Rússia mantém essa posição desde 2016, mas a China tem conquistado espaço relevante nas exportações brasileiras do produto.
O Estado de São Paulo segue na liderança das exportações de amendoim descascado. Os municípios com maior participação foram:
Essas regiões reforçam a importância do interior paulista como polo exportador do grão.
Outro produto em destaque é o óleo de amendoim em bruto, cujas exportações praticamente triplicaram entre 2024 e 2025, saltando de 51 mil para 154 mil toneladas.
A China foi o principal destino, absorvendo 88% do total exportado, reflexo do aumento do consumo doméstico de óleos vegetais.
Segundo a pesquisadora Renata Sampaio, China e Itália continuam entre os maiores importadores, consolidando o Brasil como um dos principais exportadores mundiais de óleo de amendoim.
A China é hoje o maior produtor e consumidor mundial de amendoim, responsável por mais de 35% da produção global.
Conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a safra chinesa de 2024/2025 alcançou 19 milhões de toneladas, levemente abaixo das 19,23 milhões de toneladas da temporada anterior.
Apesar da forte produção, o país asiático continua importando grandes volumes, especialmente de óleo de amendoim — cerca de 74% de todo o volume comercializado internacionalmente em 2025.
No Brasil, a safra 2024/25 registrou alta superior a 50% na produção de amendoim em casca, consolidando a força produtiva nacional.
O Estado de São Paulo segue como principal referência na cadeia produtiva, com destaque para Catanduva, que lidera o segmento de óleo, responsável por 21% dos embarques.
Por outro lado, houve redução de cerca de 30% na área plantada em comparação à safra anterior, reflexo do arrefecimento dos preços no mercado, segundo a Câmara Setorial do Amendoim de São Paulo.
Com a colheita já em andamento no interior paulista, o cenário é de otimismo. As boas condições climáticas, com chuvas bem distribuídas, têm favorecido o desenvolvimento das lavouras.
O presidente da Câmara Setorial do Amendoim, José Antonio Rossato, avalia que a safra 2025/2026 deve apresentar melhor produtividade e qualidade dos grãos em relação aos dois ciclos anteriores.
“As condições climáticas têm sido mais equilibradas, o que deve resultar em grãos de melhor qualidade e ajudar a compensar a redução da área cultivada”, afirma Rossato.
Fonte: Portal do Agronegócio
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