Publicado em: 01/07/2024 às 14:10hs
Na semana passada, o mercado de feijão apresentou um comportamento típico para a fase de transição entre o fim da colheita e a comercialização da segunda safra, e o início da colheita da terceira safra. Os preços do Feijão-carioca mostraram uma grande disparidade, variando entre R$ 170/180 para lotes com diversos defeitos, até R$ 320 para os primeiros pivôs colhidos em áreas irrigadas de Minas Gerais e Goiás.
A expectativa para esta semana é de que os preços permaneçam nos mesmos níveis. Os empacotadores estão adotando uma postura cautelosa, comprando e entregando rapidamente, cientes de que, historicamente, os preços tendem a cair conforme aumenta o volume colhido, embora o momento exato dessa queda seja incerto. Até o final da semana passada e início desta, alguns lotes, embora poucos, foram negociados antes mesmo da colheita.
Nos grupos que discutem técnicas agrícolas, há uma preocupação crescente com as perdas e atrasos no plantio causados pela mosca branca, que está contaminada com o vírus do mosaico dourado. O Engenheiro Agrônomo Edson Pina, um dos mais respeitados consultores agronômicos do setor, relatou a situação no Mato Grosso, que é a maior região produtora de Feijão irrigado deste ano:
“Estamos enfrentando uma situação tensa nas áreas de cultivo devido ao mosaico dourado. A virose se espalhou em quase 90% das plantações, com danos variando de insignificantes a até 50% das plantas afetadas. A contaminação é especialmente alta em áreas próximas ao cultivo de algodão. Na safrinha, também tivemos algumas áreas de Feijão afetadas, resultando em folhas com manchas verdes. A mosca branca, que inicialmente estava na soja, migrou para o algodão, Feijão safrinha, crotalária (planta de cobertura), gergelim, mato e plantas daninhas, e agora parece ter voltado para o Feijão.
Decidimos atrasar o plantio o máximo possível nas áreas que atendemos, começando em 15 de maio e concluindo em 20 de junho. Coincidentemente, as primeiras áreas plantadas enfrentaram maior pressão da mosca branca. Há relatos de pivôs completamente destruídos, embora a causa exata ainda não seja conhecida. Em algumas áreas, a contaminação ultrapassa 40%, enquanto em outras varia de 10% a 20% nos demais pivôs. Estamos aplicando medidas preventivas a cada duas a três semanas, com intervalos de dois a três dias entre as aplicações."
Esperava-se que o Mato Grosso plantasse 75 mil hectares, com uma produtividade de 2.469 quilos por hectare, resultando em uma produção total de 186 mil toneladas, cerca de 13,8% menor que no ano passado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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