Feijão e Pulses

Escassez e retenção de oferta impulsionam preços do feijão carioca e feijão preto no mercado nacional

Oferta reduzida provoca ruptura estrutural no mercado do feijão carioca


Publicado em: 23/01/2026 às 20:00hs

Escassez e retenção de oferta impulsionam preços do feijão carioca e feijão preto no mercado nacional

O mercado de feijão carioca atravessou, na última semana, uma ruptura estrutural que alterou completamente as referências de preços e o comportamento dos agentes. A escassez física de produto disponível, aliada à retenção estratégica dos produtores e à demanda ainda firme, resultou em um novo patamar de preços e em operações voltadas principalmente a negócios por amostra e embarques programados.

De acordo com o analista Evandro Oliveira, da Safras & Mercado, a cotação de R$ 250 por saca CIF São Paulo, que até então funcionava como resistência psicológica, tornou-se um novo piso técnico para os grãos de melhor qualidade.

Referências de preços sobem e mercado precifica risco de escassez

Mesmo com a falta física do grão extra nota 9,5, o mercado passou a negociar valores de referência em R$ 270 por saca, alcançando R$ 280 por saca para a cultivar Dama, na Zona Cerealista de São Paulo. O movimento evidencia uma mudança estrutural, com o mercado agora precificando risco de escassez, e não apenas custos marginais.

A ausência de lotes de qualidade superior provocou um efeito de valorização em cadeia, impulsionando os padrões imediatamente inferiores. Os lotes nota 9 e 8,5 ganharam liquidez, com maior giro e aceitação dos novos patamares de preço.

No Paraná, a diferenciação entre cultivares se intensificou, com prêmios para variedades de escurecimento lento, refletindo maior exigência do varejo e valorização antecipada do produto de melhor aparência.

Produtores mantêm firmeza nas origens e alta é validada no FOB

O comportamento nas principais origens foi homogêneo, sem sinais de pressão vendedora. Minas Gerais, Goiás e São Paulo mantiveram pedidas elevadas, enquanto o Paraná enfrenta um vazio produtivo, incapaz de conter a alta.

O mercado FOB acompanhou o movimento do CIF, reforçando a percepção de que a elevação é estrutural e sustentada, e não apenas uma oscilação pontual.

“O viés técnico permanece altista, sustentado e assimétrico, com estoques menores do que o mercado inicialmente estimava”, explica Oliveira.

Feijão preto: colheita avança e preços reagem após ciclo de baixa

No mercado de feijão preto, o cenário também mudou de direção, encerrando um longo período de preços deprimidos e margens negativas. Diferentemente do carioca, a valorização ocorre de forma mais gradual e seletiva, sustentada por fundamentos de oferta e demanda mais equilibrados.

Segundo o analista, o produto a granel desapareceu das mesas de negociação, resultado da retenção do grão recém-colhido pelos produtores e do redirecionamento de volumes ao beneficiamento próprio, o que retirou do mercado a principal fonte de pressão baixista.

Novas referências de preços consolidam reação do feijão preto

O patamar de R$ 200 por saca CIF São Paulo consolidou-se como referência de mercado, enquanto os lotes beneficiados e ensacados avançaram para valores entre R$ 205 e R$ 220 por saca, refletindo premiação pela qualidade e pela pronta entrega.

No mercado FOB, o avanço foi consistente, ainda que com variações regionais:

  • Paraná: entre R$ 158 e R$ 164 por saca;
  • Santa Catarina: acima de R$ 150 por saca;
  • Interior paulista: próximo de R$ 185 por saca.
Oferta ajustada e baixa disposição de venda sustentam viés positivo

A redução histórica de área plantada no Paraná, somada à colheita avançada e à qualidade irregular dos grãos, mantém o mercado ajustado e antecipa um cenário de entressafra técnica.

“O produtor ainda está se recuperando de um período prolongado de preços baixos e demonstra pouca disposição em reduzir suas pedidas”, afirma Oliveira.

Com oferta controlada, diferenciação por qualidade e expectativa de retomada da demanda nas próximas semanas, o viés de alta no mercado do feijão preto tende a se manter no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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