Publicado em: 07/04/2016 às 15:45hs
Cultivos de soja e feijão da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) de Júlio de Castilhos foram apresentados na semana passada para produtores rurais, técnicos e estudantes do Instituto Federal Farroupilha e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Cerca de 150 pessoas participaram do Dia de Campo, entre elas o vice-prefeito do município, Geraldo Ozelame. Promovido pela Fepagro Sementes há mais de dez anos, o evento tem o objetivo de transferir tecnologias. O centro de pesquisa possui uma área total de 320 hectares, sendo 160 de área plantada (150 de soja e 10 de feijão).
Em cinco estações foram abordados os temas: "Melhoramento de soja para a região do Planalto Médio do Rio Grande do Sul", "Manejo de doenças da soja", "Desenvolvimento de cultivares de feijão Fepagro na safrinha", "Indução de resistência a doenças” e "Conservação do solo e água visando à sustentabilidade dos sistemas de produção".
A diretora do centro, Liege da Costa, apresentou o "Melhoramento de soja para a região do Planalto Médio do Rio Grande do Sul". Ela contou como é feito o melhoramento de soja, as etapas que ocorrem durante os 13 anos de pesquisa, desde as hibridações (cruzamentos com a polinização), feitas em casa de vegetação, até os ensaios para determinação do Valor de Cultivo e Uso (VCU) – que são os ensaios oficiais registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) -, para o lançamento de novas cultivares.
O objetivo, segundo a pesquisadora, é desenvolver cultivares de soja (transgênicas ou convencionais) adaptadas para a região de cultivo com alta produtividade e resistência a doenças e a fatores abióticos (causados pelo clima, como excesso de chuvas ou estresse hídrico). “Fazemos o registro de semente genética para ser comercializada entre os produtores de sementes”, explicou.
Em parceria com a UFSM, a Fepagro Sementes apresentou o estudo "Conservação do solo e água visando à sustentabilidade dos sistemas de produção" – que integra o projeto Mais Água, cuja finalidade é contribuir para o aumento da disponibilidade e melhoria da qualidade da água, através da avaliação de práticas adequadas de manejo de solo, entre outras.
A pesquisadora da Fepagro Sementes, Madalena Boeni, falou sobre plantas de cobertura usadas para conservação do solo e recuperação de áreas degradadas. Conforme ela, são aspectos desejáveis de uma planta de cobertura, entre outros, o rápido crescimento, a resistência a pragas e a doenças, o baixo custo das sementes, a fácil implantação e extinção e a alta produção de massa verde.
Durante a apresentação do estudo, Madalena questionou: “qual o entrave para a melhoria da produtividade da agricultura?” Em sua opinião, é a conservação do solo. “As perdas de solo e água estão mais acirradas porque os princípios básicos do plantio direto, que é um sistema conservacionista, estão sendo negligenciados. A retirada dos terraços é um deles”, afirmou. Por isso, segundo Madalena, é importante fazer a rotação de culturas, mas mantendo as culturas originais. “O ideal é que durante todo o ano exista uma cultura sobre o solo, para não degradá-lo. Usando a rotação de culturas, com o tempo, o solo ganha mais qualidade”, sugeriu.
"Desenvolvimento de cultivares de feijão Fepagro na safrinha" foi abordado pelo técnico em Pesquisa Agropecuária da Fepagro Sementes, Noé Salles. Ele falou sobre as cultivares de feijão desenvolvidas no centro de pesquisa: Fepagro 26, Fepagro Triunfo e Fepagro Garapiá.
De cor preta, a cultivar Fepagro 26 foi obtida em pesquisas feitas na Fepagro Litoral Norte, em Maquiné. “É uma nova opção de feijão preto para o Rio Grande do Sul, com bom potencial produtivo, coloração uniforme de grãos, porte ereto e resistência ao acamamento”, explicou Noé.
Testada em diferentes regiões do Estado durante vários anos, a cultivar Fepagro Triunfo, também de cor preta, mostrou excelente desempenho, com ampla adaptação, elevado potencial produtivo e bom nível de tolerância a moléstias sob condições de campo. Já a Fepagro Garapiá (feijão tipo carioca) tem cor bege com estrias marrons. “É a primeira cultivar do grupo comercial carioca indicada para o Rio Grande do Sul inteiramente selecionada no Estado. Por isso, ela se adapta fácil às condições locais de cultivo. Tem alto potencial produtivo e bom nível de resistência a moléstias de campo”, pontuou Salles.
Técnicos da empresa Agrichem – especialista em nutrição equilibrada – abordaram a "Indução de resistência a doenças”. Eles explicaram que indução de resistência é a capacidade da planta em evitar ou atrasar a entrada e/ou a atividade de doenças. E que é preciso associar produtos a fungicidas, por exemplo, para que a planta seja mais resistente.
"Manejo de doenças da soja" foi apresentado pelo engenheiro agrônomo da Ruralsul Planejamento Agrícola, Eduardo Fredrich, que falou sobre o Manejo Biológico On Farm, um fungicida biológico. De acordo com ele, trata-se de uma tecnologia que vem ao encontro da necessidade atual de manejos sustentáveis, cujo objetivo é serem ambientalmente corretos, socialmente justos e economicamente viáveis, conseguindo reduzir em até 80% o custo da aplicação de produtos biológicos. “A ideia é reduzir o custo da produção, sem a pretensão de substituir a lavoura convencional”, sintetizou.
Pela primeira vez participando de um dia de Campo, a aluna do curso subsequente em Agropecuária do Instituto Federal Farroupilha – Câmpus Júlio de Castilhos -, Beatriz Scapin, de 18 anos, estava entusiasmada. Moradora de Nova Palma e filha de produtores rurais, ela pretende levar o conhecimento adquirido para aplicar na propriedade da família.
Fonte: FEPAGRO
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