Publicado em: 06/05/2026 às 18:20hs
O feijão, um dos alimentos mais tradicionais da mesa brasileira e importante fonte de proteína vegetal, enfrenta um cenário desafiador no país. Enquanto o consumo interno registra forte queda nas últimas décadas, o Brasil amplia sua atuação no mercado internacional, criando um paradoxo que acende alerta em toda a cadeia produtiva.
Levantamentos da Embrapa, com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o consumo per capita do grão caiu de cerca de 23 quilos por habitante ao ano nas décadas de 1960 e 1970 para atuais 12 a 13 quilos — uma retração superior a 50% e um dos níveis mais baixos da série histórica.
A redução no consumo de feijão está diretamente ligada a transformações no padrão alimentar da população brasileira. Entre os principais fatores estão:
Especialistas reforçam que o feijão continua sendo essencial para a saúde, com alto valor nutricional e impacto positivo no desenvolvimento cognitivo, especialmente em crianças.
No campo, o cenário também é de retração. A área plantada vem diminuindo em diversas regiões produtoras, pressionada por fatores econômicos e estruturais.
Na safra 2025/2026, a redução supera 10% em estados como o Paraná, tradicional polo produtor. Entre os principais desafios enfrentados pelos produtores estão:
Diante desse cenário, muitos agricultores optaram por migrar para culturas mais rentáveis, como a soja.
A produção nacional de feijão deve ficar abaixo de 3 milhões de toneladas na safra atual, segundo estimativas do setor com base em dados da Conab e de agentes de mercado, refletindo a queda na área cultivada.
Exportações ganham força e abrem novas oportunidades
Apesar da retração interna, o Brasil vem ampliando sua presença no mercado global de pulses. De acordo com o Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (IBRAF), o país exportou mais de 500 mil toneladas em 2025.
Os principais destinos incluem:
Grande parte das exportações é composta por variedades pouco consumidas no mercado interno, como o feijão fradinho, o que permite ao Brasil atender a demanda externa sem comprometer o abastecimento nacional.
Atualmente, o país já trabalha com cerca de 20 variedades exportáveis, ampliando sua competitividade e diversificação de mercado, com potencial de expansão para países como China, México e outras nações asiáticas.
Um dos diferenciais do feijão brasileiro no cenário internacional é a sustentabilidade da produção. Estudos indicam que o grão produzido no país possui uma pegada ambiental até 50% menor em comparação com grandes concorrentes globais, como Canadá, Austrália e Estados Unidos.
Esse fator tem ganhado relevância em mercados que priorizam cadeias produtivas mais sustentáveis e pode impulsionar ainda mais as exportações nos próximos anos.
Para enfrentar a queda no consumo interno, o setor tem investido em iniciativas de valorização do feijão. Uma das principais ações é a campanha “Viva Feijão”, que busca resgatar a importância do alimento na dieta dos brasileiros, especialmente entre as novas gerações.
Além disso, tendências globais podem favorecer o grão. Países como Estados Unidos e na Europa vêm ampliando o consumo de leguminosas, impulsionados pela busca por dietas mais saudáveis e sustentáveis. Na Ásia, o feijão já é utilizado de forma mais diversificada, inclusive na indústria de alimentos.
O Brasil vive um momento decisivo para o futuro do feijão. Apesar de ainda presente no prato do brasileiro, o alimento perde espaço diante das mudanças no comportamento alimentar.
Para o setor, o desafio é equilibrar tradição e inovação, estimulando o consumo interno enquanto amplia oportunidades no mercado externo.
Mais do que um item básico da alimentação, o feijão se consolida como um ativo estratégico para a segurança alimentar, a sustentabilidade e a economia do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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