Cana de Açucar

Produtores de Cana Reduzem Investimentos no Brasil com Queda do Açúcar e Custos Elevados, Aponta Orplana

Organização que representa mais de 12 mil produtores alerta que desinvestimento pode afetar o processamento de cana e a produtividade a partir de 2028, caso o cenário de preços baixos e custos altos persista.


Publicado em: 23/01/2026 às 10:45hs

Produtores de Cana Reduzem Investimentos no Brasil com Queda do Açúcar e Custos Elevados, Aponta Orplana
Produtores de Cana Enfrentam Queda na Rentabilidade

A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) alertou que os produtores de cana-de-açúcar estão reduzindo os investimentos na cultura em função da queda nos preços do açúcar e do aumento dos custos de produção.

De acordo com o presidente-executivo da entidade, José Guilherme Nogueira, a situação preocupa o setor, já que o movimento pode afetar o ritmo de renovação dos canaviais e o volume de moagem nos próximos anos.

“Estamos observando uma redução nos investimentos em plantações de cana-de-açúcar, principalmente devido ao aumento do custo de produção e à queda na receita líquida”, afirmou Nogueira.

A Orplana representa 35 associações de produtores, reunindo cerca de 12 mil agricultores na principal região canavieira do país, responsável por boa parte do abastecimento das usinas brasileiras.

Custos Elevados e Preços em Baixa Afetam Planejamento

Segundo Nogueira, o cenário atual levou muitos produtores a reduzir gastos com insumos essenciais, como fertilizantes, defensivos e manutenção de maquinário agrícola — medidas que podem afetar a produtividade das lavouras no médio prazo.

Os preços globais do açúcar, próximos das mínimas dos últimos cinco anos, refletem a alta oferta mundial, com safras recordes em países como Brasil e Índia, e a queda no consumo global do produto.

Esse quadro pressiona as margens de lucro do produtor e gera incertezas sobre a viabilidade econômica da cana-de-açúcar como principal cultura agrícola em diversas regiões.

Possível Migração para Outras Culturas

Caso os preços do açúcar permaneçam baixos, a Orplana estima que parte dos produtores poderá optar por migrar para culturas mais rentáveis, como soja e milho, além de não renovar contratos de fornecimento com usinas.

“Se o cenário atual continuar, muitos produtores deixarão de investir na cana até 2028, o que deve se refletir em menor área plantada e queda no processamento futuro”, destacou o executivo.

Embora os efeitos imediatos sobre a safra 2026/27 sejam limitados, o impacto do desinvestimento tende a ser sentido a partir da colheita seguinte, quando a redução da produtividade e da oferta de cana deve se tornar mais evidente.

Produção Atual Segue em Alta, Mas Futuro É de Atenção

Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) indicam que, até a segunda quinzena de dezembro de 2025, as usinas brasileiras haviam moído 600,4 milhões de toneladas de cana, resultando em uma produção de 40,2 milhões de toneladas de açúcar.

A Orplana projeta que a safra 2026/27 deverá ser ligeiramente maior ou semelhante à atual, dependendo das condições climáticas, especialmente do volume de chuvas nos próximos meses.

“Acreditamos que a próxima safra será um pouco maior ou muito parecida com a atual. A produtividade ainda está sendo construída e dependerá bastante do clima”, avaliou Nogueira.

Desinvestimento Pode Afetar Cadeia Sucroenergética

O possível desestímulo à renovação de canaviais preocupa o setor sucroenergético, já que a cana é base não apenas da produção de açúcar, mas também de etanol e bioenergia.

A redução de investimentos pode comprometer a sustentabilidade da cadeia produtiva e impactar o equilíbrio entre oferta de matéria-prima e capacidade industrial das usinas, que dependem de fluxo constante de cana para manter o nível de operação.

“O produtor precisa de previsibilidade e condições de rentabilidade para continuar investindo. Caso contrário, corremos o risco de ver uma retração significativa na oferta até o fim da década”, concluiu o presidente da Orplana.

Fonte: Portal do Agronegócio

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