Pragas da cana-de-açúcar: Sphenophorus levis e cigarrinha exigem manejo na safra 2026/27
Monitoramento e controle específico para cada inseto são decisivos para preservar a produtividade, a qualidade da matéria-prima e a longevidade dos canaviais
Publicado em: 05/10/2026 às 14:30hs
A cigarrinha-das-raízes e o Sphenophorus levis representam desafios para a produtividade dos canaviais na safra 2026/27. Com formas distintas de ataque e desenvolvimento, as duas pragas exigem monitoramento contínuo e estratégias específicas de controle para evitar perdas no campo e prejuízos à qualidade da cana destinada à indústria.
A necessidade de proteger as lavouras acompanha a perspectiva de crescimento da produção brasileira. Segundo o segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), citado no material, a safra deve alcançar 705,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, aumento de 4,7% sobre o ciclo anterior. A área destinada à colheita está estimada em aproximadamente 9,1 milhões de hectares, com produtividade média de 77.905 quilos por hectare.
Nesse cenário, identificar as infestações e intervir no momento adequado ajuda a preservar o rendimento das áreas cultivadas e a capacidade produtiva das soqueiras ao longo dos ciclos.
Danos podem comprometer produtividade e longevidade dos canaviais
As perdas provocadas pelas pragas variam conforme a intensidade da infestação, as condições da lavoura e a eficiência do manejo.
Segundo o engenheiro agrônomo Michel Tomazela, gerente de Marketing Regional da IHARA, o controle tardio ou ineficiente da cigarrinha pode resultar em redução de até 50% da produtividade por hectare. Em situações severas, em regiões de alta produtividade, ele aponta perdas que podem chegar a 80% no indicador de toneladas de cana por hectare (TCH).
Para o Sphenophorus levis, o especialista relata prejuízos de até 25 toneladas por hectare. Tomazela ressalta que os sinais do ataque podem ser percebidos somente depois de um comprometimento expressivo da lavoura, o que reforça a importância do acompanhamento preventivo.
Cigarrinha-das-raízes afeta vigor e qualidade da cana
A ocorrência da cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata) pode ser favorecida pela alta umidade e pelas condições encontradas sob a palhada que permanece no solo após a colheita mecanizada de cana crua.
As ninfas ficam próximas às raízes, onde sugam a seiva. Os adultos também causam danos à parte aérea. O ataque pode provocar amarelecimento, seca e perda de vigor, comprometendo o desenvolvimento das plantas.
Os efeitos ultrapassam a redução do volume colhido. A infestação pode diminuir o teor de sacarose e aumentar o nível de fibra, com consequências para o aproveitamento industrial da matéria-prima.
Além disso, colmos debilitados podem ficar mais suscetíveis à entrada de fungos e bactérias, ampliando os riscos de deterioração da cana encaminhada às usinas.
A presença simultânea de diferentes estágios do inseto torna o controle mais complexo. Por isso, o monitoramento precisa considerar a dinâmica populacional da praga e as condições do ambiente para orientar o momento de intervenção.
Sphenophorus levis causa danos no interior das touceiras
O Sphenophorus levis apresenta uma dificuldade adicional: parte importante de seu desenvolvimento ocorre em locais protegidos, no interior ou nas proximidades das touceiras.
As larvas abrem galerias nos rizomas, estruturas subterrâneas da planta, e podem provocar a morte de perfilhos. Em infestações mais severas, o ataque compromete toda a touceira, reduzindo o estande e a produtividade do canavial.
A localização das fases imaturas dificulta a detecção e o alcance das medidas de controle. Os adultos também encontram abrigo sob torrões, entre colmos caídos e nas galerias abertas pelas larvas.
A movimentação de mudas infestadas e de restos vegetais transportados por máquinas agrícolas está entre os fatores associados à disseminação da praga para novas áreas. A prevenção, portanto, deve acompanhar tanto a implantação quanto a condução dos canaviais.
Manejo integrado precisa considerar cada praga
Embora ambos os insetos possam causar perdas expressivas, as estratégias de controle devem respeitar suas diferenças biológicas.
No caso da cigarrinha, o acompanhamento das fases de desenvolvimento, da umidade e das condições sob a palhada contribui para definir o momento adequado de manejo.
Para o Sphenophorus levis, a atenção deve se concentrar na identificação de áreas infestadas, na proteção das touceiras e na prevenção da disseminação. O tratamento químico da soqueira e do sulco de plantio está entre as ferramentas mencionadas pelo especialista para reduzir a população do inseto.
Tomazela defende a combinação de diferentes recursos e mecanismos de ação nos programas de manejo, com decisões baseadas no comportamento das populações e nas características de cada alvo.
Na safra 2026/27, o objetivo é preservar tanto o rendimento da temporada quanto a longevidade dos canaviais. Monitoramento, prevenção e controle adequado ajudam a reduzir perdas e a manter a qualidade da matéria-prima entregue à indústria.
Fonte: Portal do Agronegócio
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