Atvos leva bioinsumos a 100% do plantio de cana e amplia manejo biológico
Tecnologias foram validadas nas oito unidades agroindustriais da companhia e integram estratégia que combina proteção das lavouras, desenvolvimento radicular e eficiência produtiva
Publicado em: 08/10/2026 às 15:00hs
A Atvos passou a utilizar insumos biológicos em 100% de suas áreas de plantio de cana-de-açúcar, ampliando a aplicação dessas tecnologias em sua operação agrícola. Segundo a produtora de biocombustíveis, os bioinsumos também são empregados em todas as áreas de corte de soqueira e fazem parte das estratégias de proteção de cultivos e agricultura regenerativa.
As soluções foram validadas em escala comercial nas oito unidades agroindustriais da empresa. A adoção integra um conjunto de mudanças em inovação, tecnologia e manejo implementadas nas últimas safras para melhorar a eficiência e a produtividade dos canaviais.
Nesse período, a companhia informa crescimento de 42% na produtividade média, que passou de 52 toneladas por hectare, em 2021, para mais de 70 toneladas. O resultado está associado ao conjunto de iniciativas agrícolas, sem atribuição exclusiva ao uso de biológicos.
Manejo biológico avança do plantio ao controle de pragas
Além da aplicação no estabelecimento da cultura, a Atvos vem expandindo o uso de bioinsumos em outras etapas do ciclo produtivo.
Entre os alvos do manejo estão a cigarrinha-da-raiz (Mahanarva fimbriolata), o bicudo-da-cana (Sphenophorus levis) e a broca-da-cana (Diatraea saccharalis), pragas relevantes para a produção de cana-de-açúcar.
Segundo Wilson Lucena, vice-presidente de Operações da Atvos, a ampliação do manejo biológico está vinculada à estratégia de integrar inovação, sustentabilidade e eficiência operacional.
“A adoção de bioinsumos representa uma evolução importante na nossa operação agrícola e está diretamente conectada à estratégia da Atvos de integrar inovação, sustentabilidade e eficiência”, afirma.
Bioinsumos buscam melhorar raízes e aproveitamento de nutrientes
No plantio, a companhia combina soluções biológicas e bioestimulantes com diferentes funções agronômicas. O objetivo é apoiar o estabelecimento inicial da cana, proteger o sistema radicular e favorecer o aproveitamento dos nutrientes.
Para o manejo de nematoides e patógenos de solo, são utilizadas formulações à base de Bacillus amyloliquefaciens* e *Trichoderma harzianum. Conforme a descrição apresentada pela empresa, essas soluções atuam por mecanismos como antagonismo, competição e indução de resistência.
A estratégia também inclui inoculantes com Azospirillum brasilense, bactéria promotora de crescimento associada ao desenvolvimento das raízes e à eficiência de absorção de nutrientes.
Extratos de algas complementam o manejo como bioestimulantes, com aplicação voltada ao estabelecimento inicial da cultura.
Fungos, bactérias e agentes biológicos compõem proteção dos canaviais
No controle de doenças, a Atvos utiliza formulações à base de Bacillus pumilus, com mecanismos de ação descritos pela companhia como antibiose e indução de resistência, destinados à supressão de patógenos foliares.
O manejo de insetos-praga conta com os fungos entomopatogênicos Isaria fumosorosea* e *Metarhizium anisopliae, que atuam por infecção e colonização dos insetos.
Outro componente é o Trichogramma galloi, agente de controle biológico empregado de forma complementar na estratégia de manejo integrado de pragas.
As ferramentas são utilizadas em conjunto com outras tecnologias ao longo do ciclo, conforme as necessidades da operação agrícola.
Solo e estabilidade produtiva estão entre os objetivos
Segundo a Atvos, o manejo com insumos biológicos pode contribuir para a atividade microbiana e a diversidade funcional do solo, favorecendo processos como a ciclagem de nutrientes e o desenvolvimento radicular.
A empresa também aponta como benefícios potenciais a maior eficiência no uso de insumos, a seletividade das soluções e a preservação de organismos não alvo. Em sistemas de manejo consolidados, esses fatores podem ajudar a ampliar a estabilidade produtiva no longo prazo.
Cana-de-açúcar ganha participação no mercado de biológicos
O avanço na companhia acompanha a expansão dessas tecnologias na agricultura brasileira. Dados do Instituto Biológico citados no material mostram que, em 2015, menos de um terço dos canaviais do país utilizava agentes não químicos no controle de pragas relevantes.
Já na safra 2024/25, a cana-de-açúcar respondeu por aproximadamente 12% do consumo nacional de insumos biológicos agrícolas, conforme os dados apresentados.
A aplicação em larga escala pela Atvos mostra como essas ferramentas vêm sendo incorporadas ao manejo dos canaviais, com foco em proteção da cultura, eficiência no uso de recursos e sustentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegócio
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