Publicado em: 18/02/2026 às 16:30hs
Muito antes de o café catarinense ganhar espaço entre os apreciadores de grãos especiais, ele já fazia parte da história e da identidade do Estado — a planta, inclusive, está estampada na bandeira de Santa Catarina, criada em 1895. Agora, essa tradição se renova com o lançamento do Projeto Café Sombreado Catarinense, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina.
A iniciativa, que entra em operação em março deste ano, faz parte do Programa de Financiamento ao Desenvolvimento Rural, Pesqueiro e Aquícola de Santa Catarina (Financia Agro SC) e visa fortalecer e expandir o cultivo de café arábica em sistema sombreado, priorizando a agricultura familiar.
O sistema proposto pelo projeto consiste no consórcio do café com bananeiras, palmeiras e espécies arbóreas nativas, principalmente nas regiões do Litoral e do Vale do Itajaí. A proposta busca conciliar produção agrícola e conservação ambiental, reforçando práticas sustentáveis e de baixo impacto.
Segundo o secretário de Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, o projeto atende uma demanda antiga de associações de produtores e pequenas torrefações locais, que veem na cultura do café sombreado uma oportunidade de diversificação produtiva, geração de renda e agregação de valor.
Embora ainda em fase inicial de expansão comercial, o café sombreado já é cultivado há décadas por agricultores familiares catarinenses. O gerente de projetos da Sape, Thiago Leal, especialista em cafeicultura, destaca que o sombreamento natural melhora as condições de desenvolvimento da planta, tornando-a mais vigorosa, saudável e produtiva.
“No cultivo sombreado, o processo de maturação do fruto é mais lento, o que garante grãos mais uniformes e de qualidade superior. Aliado às condições de latitude, clima marítimo e solo fértil das regiões produtoras, o sistema resulta em cafés com perfil sensorial diferenciado, muito valorizados no mercado de cafés especiais, segmento que segue em forte crescimento no Brasil”, explica Leal.
O Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR) será o responsável pelo apoio financeiro aos produtores que aderirem ao projeto. Para participar, é necessário procurar os escritórios da Epagri e possuir o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo, além de comprovar condições adequadas para o cultivo e a produção do café.
Os valores de financiamento podem chegar a R$ 50 mil por família em projetos individuais, ou até R$ 120 mil em iniciativas coletivas com, no mínimo, três famílias participantes. O pagamento será feito em cinco parcelas anuais, sem juros, e contará com três anos de carência. Agricultores que quitarem as parcelas em dia terão 30% de desconto no valor total.
A liberação da carência dependerá de laudo técnico da Epagri, comprovando a implantação e o bom desenvolvimento das lavouras.
Com o Projeto Café Sombreado Catarinense, o Estado aposta na integração entre sustentabilidade, tradição e rentabilidade. A expectativa é de que a iniciativa revitalize o cultivo do café arábica, amplie o número de produtores e fortaleça o posicionamento de Santa Catarina no mapa nacional dos cafés especiais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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