Safra recorde de café reforça importância do planejamento de novas lavouras no Sul de Minas
Conab estima 15,93 milhões de sacas de arábica no Sul e Centro-Oeste mineiro em 2026; preparo do solo e estabelecimento das mudas são decisivos para os próximos ciclos produtivos
Publicado em: 08/10/2026 às 10:45hs
A perspectiva de uma safra recorde de café em 2026 coloca em evidência uma etapa que antecede a produção: a implantação das lavouras. No Sul de Minas, produtores que renovam cafezais ou iniciam novas áreas precisam planejar o estabelecimento das mudas, com atenção ao solo, à disponibilidade de água e ao desenvolvimento das raízes.
Segundo o terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em setembro, a produção de café arábica no Sul e Centro-Oeste de Minas Gerais deve atingir 15,93 milhões de sacas. Para todo o estado, a estimativa é de 34,96 milhões de sacas da espécie.
Os números reforçam a relevância da cafeicultura mineira e mostram por que as decisões tomadas na formação dos cafezais têm peso sobre a capacidade produtiva dos próximos anos.
Produção brasileira de café deve alcançar 67,6 milhões de sacas
A Conab estima a safra brasileira de café de 2026 em 67,6 milhões de sacas beneficiadas, crescimento de 19,6% em relação ao ano anterior. O volume representa o maior resultado da série histórica da companhia.
A produtividade média nacional também avançou. A projeção passou de 30,4 para 34,6 sacas por hectare, aumento de 13,8%.
Em Minas Gerais, o desempenho foi favorecido pela bienalidade positiva do arábica, período de maior potencial produtivo da cultura. A distribuição das chuvas nos meses anteriores à floração e as condições climáticas favoráveis até março também contribuíram para os resultados das lavouras.
Implantação do cafezal influencia vários ciclos produtivos
Enquanto os produtores avaliam o resultado da colheita, a implantação e a renovação de áreas exigem decisões com efeitos duradouros. Por ser uma cultura perene, o café permanece na propriedade por muitos anos, tornando a formação inicial uma etapa estratégica do manejo.
Preparo da área, condições do solo, pegamento das mudas e crescimento das raízes estão entre os fatores que influenciam o estabelecimento do cafezal.
Para Francisco de Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, a atenção à produtividade atual deve vir acompanhada do planejamento das áreas que entrarão em produção nos próximos ciclos.
“Quando falamos em café, estamos falando de uma cultura que permanecerá naquela área por muitos anos. Por isso, a implantação não pode ser tratada apenas como mais uma operação de campo”, afirma.
Segundo ele, o desenvolvimento inicial ajuda a definir as condições das plantas para enfrentar as etapas seguintes de formação e produção.
Raízes e uniformidade das mudas exigem atenção
Um dos principais desafios após o plantio é oferecer condições para que as mudas estabeleçam o sistema radicular e aproveitem a água e os nutrientes disponíveis no solo.
Estresses hídricos, limitações nutricionais e dificuldades de crescimento nessa fase podem prejudicar a uniformidade da lavoura. Plantas com desenvolvimento desigual desde o início podem manter essas diferenças durante a formação do cafezal.
Carvalho destaca que a aparência de uma área já formada nem sempre indica que todas as mudas se estabeleceram em condições semelhantes. Por isso, o acompanhamento inicial deve considerar tanto o crescimento das plantas quanto a capacidade das raízes de explorar o solo.
“O objetivo é criar condições para que as mudas tenham um estabelecimento equilibrado e desenvolvam raízes capazes de explorar melhor o solo”, explica.
Manejo deve considerar as características de cada propriedade
As estratégias de implantação precisam ser definidas conforme as condições de cada área. Tipo de solo, disponibilidade hídrica, histórico da propriedade, variedade escolhida e clima interferem no estabelecimento das plantas.
Entre as ferramentas utilizadas nessa etapa estão tecnologias voltadas ao desenvolvimento inicial. Segundo a Hydroplan-EB, o HYB PLUS integra programas de manejo para implantação do café, em associação com as demais práticas agronômicas adotadas nas propriedades.
A escolha dessas ferramentas, porém, deve considerar as necessidades específicas da lavoura e fazer parte do planejamento agronômico.
Para Carvalho, a safra de 2026 evidencia o potencial da cafeicultura brasileira, mas também reforça a importância das decisões anteriores à primeira colheita. Nas áreas em implantação, a base dos próximos ciclos começa a ser construída com o preparo do solo, o estabelecimento das mudas e a condução inicial do cafezal.
Fonte: Portal do Agronegócio
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