Publicado em: 27/08/2015 às 19:10hs
Enquanto a preferência interna pelo café robusta aumentou, em média, 9,5% ao ano entre 2004 e 2014, pela variedade arábica recuou 0,7% ao ano. Entre 2004 e 2014, a demanda interna de café (arábica e robusta) no Brasil cresceu a uma taxa média de 3,5% ao ano, tendo alcançado quase 21 milhões de sacas de 60 quilos no ano passado. Esse aumento da demanda supera o crescimento médio do consumo de café no mundo, de 2,1% ao ano. Entretanto, "enquanto os outros mercados desenvolvidos têm visto um prêmio para cafés especiais na criação de valor agregado, o Brasil parece se mover na direção oposta", diz o Rabobank.
Segundo a avaliação do banco, todo o aumento do consumo desde 2004 foi impulsionado pelo café robusta. Se em 2004 o consumo de arábica representava 68% do volume total, em 2014, 57% do consumo total era da variedade robusta. O Brasil é o segundo maior país consumidor de café do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Em consumo per capita, o País supera regiões como Europa Ocidental e Estados Unidos. Em 2014, o consumo per capita alcançou 6,1 quilos de café, sendo que apenas 10 países superam o Brasil em consumo per capita.
Enquanto isso, o Brasil se mantém como líder nas exportações da commodity. Em 2014, os embarques alcançaram o recorde de 36,4 milhões de sacas. A demanda internacional absorve pelo menos 60% da produção doméstica desde 2007. As exportações firmes vêm contribuindo para a redução dos estoques, avaliaram os analistas do banco.
Cápsulas – Apesar de apontar que o aumento do consumo de café no Brasil não tem como base o segmento de cafés premium, como acontece em países como Estados Unidos, o Rabobank alerta que há espaço para um crescimento desse mercado no País. Em 2014, as vendas de café em cápsulas representava apenas 4% do total no Brasil, enquanto nos EUA e na Alemanha, por exemplo, esse porcentual supera os 30%.
"O preço por quilo de café vendido em cápsulas pode superar os formatos convencionais em 10 vezes. Essa tendência não é exceção no Brasil e mostra como os produtos de maior qualidade podem aumentar os lucros da indústria de café", afirmou o relatório.
O documento lembra que, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), 98,2% das residências brasileiras consomem café, mas até o final de 2014 menos de 1% consumia cápsulas. "O crescimento do segmento de cápsulas recentemente acelerou, a partir de uma base muito pequena, com avanço de 52% em volume e 55% em valor em 2014", aponta o Rabobank.
Tanto a Nestlé quanto a Três Corações anunciaram investimentos em cápsulas recentemente, "o que mostra que a indústria vê um futuro promissor para o formato de doses únicas, tanto para o consumo doméstico quanto para exportação", disseram os analistas.
Fonte: Agência Estado
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