Publicado em: 20/05/2026 às 17:00hs
Os preços globais do café registraram queda em abril diante de um cenário mais favorável para a oferta mundial da commodity. O indicador composto de preços da Organização Internacional do Café (OIC), conhecido como I-CIP, recuou 2,7% no comparativo mensal, passando de 273,70 centavos de dólar por libra-peso em março para 266,29 centavos em abril.
Segundo análise da OIC, o mercado internacional do café continuou sendo influenciado por dois fatores centrais ao longo do mês: as tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz, e a melhora contínua nas perspectivas de produção global, principalmente no Brasil.
Apesar do impacto logístico e energético provocado pela crise no Oriente Médio, o mercado passou a dar maior peso aos fundamentos de oferta, o que pressionou as cotações para baixo e praticamente anulou os ganhos observados em março.
De acordo com a OIC, todos os grupos de café registraram desvalorização em abril, com destaque para o café robusta, que apresentou as perdas mais intensas.
O mercado vinha monitorando os efeitos do fechamento do Estreito de Ormuz desde 4 de março. A região é considerada um dos corredores marítimos mais estratégicos do mundo, responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo global.
O bloqueio elevou os custos do frete marítimo, pressionou os preços da energia e aumentou a volatilidade nas cadeias globais de logística, afetando diretamente o setor cafeeiro.
Embora a produção de café esteja concentrada na América Latina, África e Ásia, toda a cadeia depende de transporte internacional eficiente, energia mais barata e estabilidade no comércio global.
A crise logística também provocou forte elevação nos custos dos insumos agrícolas utilizados na cafeicultura.
O preço da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no café, disparou 47% em apenas dois meses, saltando de US$ 465 por tonelada no fim de fevereiro para US$ 682 por tonelada no encerramento de abril.
No mesmo período, o Índice de Frete de Contêineres (CFI) avançou de 1.331,1 pontos para 1.911,4 pontos, refletindo o aumento das despesas logísticas globais.
Já o petróleo Brent subiu de US$ 73,23 para US$ 114,09 por barril entre fevereiro e abril, ampliando ainda mais os custos operacionais para produtores e exportadores.
A OIC alerta que a elevação dos fertilizantes tende a afetar principalmente regiões produtoras com maior dependência de tecnologia e uso intensivo de insumos, sobretudo produtores que ainda não haviam travado compras antecipadas.
Apesar das tensões geopolíticas, o mercado internacional passou a focar no aumento esperado da produção brasileira de café na safra 2026/27.
Em março, importantes consultorias e empresas globais divulgaram projeções otimistas para a produção nacional.
A trading Sucafina estimou crescimento de 15,5% na safra brasileira em relação ao ciclo anterior. Já a Marex Group projetou alta de 14,3% na produção do país.
Segundo a OIC, em março o impacto da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã havia superado os fundamentos de mercado, sustentando alta de 2,3% no indicador global do café.
Entretanto, em abril, a percepção mudou. O mercado passou a entender que os efeitos da crise geopolítica já estavam parcialmente precificados, enquanto as perspectivas de maior oferta continuaram evoluindo de forma consistente.
Analistas avaliam que o comportamento dos preços nos próximos meses continuará dependente do equilíbrio entre oferta global, clima nas principais regiões produtoras e custos logísticos internacionais.
Além da safra brasileira, investidores monitoram o consumo mundial, o andamento das exportações e possíveis novos impactos no transporte marítimo internacional.
Mesmo com a recente queda, o mercado cafeeiro segue operando em patamares historicamente elevados, sustentado pela volatilidade climática e pelas incertezas econômicas globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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