Publicado em: 10/04/2026 às 15:00hs
O mercado internacional do café encerrou a semana até esta quinta-feira (9) sob forte pressão, marcado por volatilidade e maior aversão ao risco nas principais bolsas globais.
Na Bolsa de Nova York, referência para o café arábica, e na Bolsa de Londres, que baliza o robusta, os preços oscilaram diante das tensões geopolíticas envolvendo a guerra no Irã. Esse cenário também impactou o dólar e o petróleo, influenciando diretamente o comportamento das commodities, incluindo o café.
Além do ambiente externo, os fundamentos do mercado indicam maior tranquilidade em relação ao abastecimento global de café.
A colheita do conilon (robusta) no Brasil começa em abril, seguida pela do arábica. A expectativa de uma safra robusta no país contribui para o aumento da oferta e pressiona as cotações.
Outro fator de impacto é a entrada da safra da Indonésia, especialmente no segmento de robusta, reforçando o cenário de maior disponibilidade global do produto.
Apesar da pressão predominante, o mercado encontrou algum suporte ao longo da semana com a divulgação de dados de exportação.
As exportações brasileiras de café em grão, em março de 2026, somaram 2,52 milhões de sacas de 60 quilos, considerando 22 dias úteis. A receita atingiu US$ 998,07 milhões, com preço médio de US$ 395,80 por saca, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
No entanto, na comparação anual, os números mostram retração:
No cenário global, dados da Organização Internacional do Café (OIC) indicam que as exportações mundiais totalizaram 11,46 milhões de sacas em fevereiro, queda de 5,7% frente ao mesmo mês de 2025.
Por outro lado, no acumulado dos cinco primeiros meses da safra 2025/26 (outubro a fevereiro), os embarques globais cresceram 4,5%, somando 57,77 milhões de sacas.
No recorte de 12 meses, as exportações de café arábica apresentaram queda de 3,22%, totalizando 83,63 milhões de sacas.
Já o café robusta registrou desempenho positivo, com alta de 14% nos embarques, que atingiram 59,15 milhões de sacas no mesmo período.
Na Bolsa de Nova York, o contrato maio do café arábica encerrou a quinta-feira (9) cotado a 293,70 centavos de dólar por libra-peso, acumulando queda de 0,6% em relação à semana anterior.
Em Londres, o contrato maio do robusta apresentou recuo mais acentuado, com perda acumulada de 4% no mesmo período.
No Brasil, o mercado físico de café também registrou queda nos preços ao longo da semana.
Além da influência das bolsas internacionais, a desvalorização do dólar frente ao real — com queda de 1,8% e atingindo os níveis mais baixos em dois anos — intensificou a pressão sobre as cotações internas.
O ambiente de negócios segue marcado por cautela. Produtores têm dosado a oferta, enquanto compradores adotam postura conservadora, adquirindo volumes pontuais e aguardando a entrada da nova safra.
Nas principais regiões produtoras, os preços registraram queda no comparativo semanal.
No sul de Minas Gerais, o café arábica bebida terminou a quinta-feira (9) cotado a R$ 1.860,00 por saca, frente aos R$ 1.920,00 da semana anterior, recuo de 3,1%.
Já o conilon tipo 7, em Vitória (ES), caiu de R$ 930,00 para R$ 890,00 por saca, representando baixa de 4,3% no mesmo período.
O mercado de café segue pressionado no curto prazo, influenciado pela combinação de fatores externos e internos, como o avanço da safra brasileira, a valorização do real e o aumento da oferta global.
Com a intensificação da colheita nas próximas semanas, a tendência é de continuidade da cautela nas negociações, com investidores e agentes do setor atentos à evolução dos preços e ao comportamento da demanda internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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