Preço do café cai no Brasil e arábica volta abaixo de 290 cents em Nova York
Cotações recuam R$ 10 por saca nas praças acompanhadas; queda internacional pressiona o mercado físico, enquanto alta do dólar pode amenizar parte das perdas
Publicado em: 08/10/2026 às 11:20hs
O mercado brasileiro de café começa esta quinta-feira (8) sob pressão, com perspectiva de preços mais baixos e negociações limitadas. A nova queda do arábica na Bolsa de Nova York reforça a cautela dos produtores, após o recuo das cotações domésticas registrado na quarta-feira.
No mercado internacional, o contrato dezembro de 2026 voltou a operar abaixo de 290 centavos de dólar por libra-peso. A valorização do dólar frente ao real pode compensar parte dessa pressão sobre os preços brasileiros, mas o efeito dependerá da evolução dos dois referenciais ao longo do pregão.
Diante desse cenário, produtores tendem a reduzir a oferta e aguardar condições mais favoráveis para negociar.
Preços do café recuam nas principais regiões produtoras
Na quarta-feira (7), as referências do mercado físico apresentaram queda de R$ 10 por saca de 60 quilos nas praças acompanhadas. As perdas do arábica em Nova York e do robusta em Londres contribuíram para enfraquecer as cotações brasileiras.
No Sul de Minas Gerais, o arábica bebida boa, da safra nova, com 15% de catação, foi cotado entre R$ 1.650 e R$ 1.655 por saca, ante R$ 1.660 a R$ 1.665 anteriormente.
No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura, também da safra nova e com 15% de catação, passou para R$ 1.660 a R$ 1.665 por saca. A referência anterior estava entre R$ 1.670 e R$ 1.675.
Na Zona da Mata de Minas Gerais, o café arábica bebida rio, tipo 7, safra 2026, com 20% de catação, recuou para R$ 1.150 a R$ 1.155 por saca, frente aos R$ 1.160 a R$ 1.165 registrados anteriormente.
Em Vitória, no Espírito Santo, o conilon tipo 7, safra 2026, ficou entre R$ 970 e R$ 975 por saca. O tipo 7/8 foi negociado entre R$ 960 e R$ 965, ambos com redução de R$ 10 em relação às referências anteriores.
Além das perdas internacionais, a volatilidade cambial dificultou as negociações. O feriado em Varginha, importante centro de comercialização do Sul de Minas, também contribuiu para o ritmo mais lento dos negócios.
Café arábica amplia perdas em Nova York
Os contratos futuros do café arábica estenderam nesta quinta-feira o movimento de baixa da sessão anterior. Às 7h35, no horário de Brasília, dezembro de 2026 recuava 1,23%, a 289,10 centavos de dólar por libra-peso, enquanto março de 2027 perdia 1,25%, a 281,35 centavos.
Os demais vencimentos também apresentavam perdas. Maio de 2027 caía 0,96%, a 279,00 centavos; julho recuava 0,88%, a 276,55 centavos; e setembro registrava baixa de 0,91%, a 273,75 centavos.
Em outra indicação da manhã, sem horário informado, dezembro de 2026 aparecia cotado a 289,40 centavos, com queda de 1,12%.
Na quarta-feira, esse contrato encerrou a sessão a 292,70 centavos por libra-peso, após perder 11,75 centavos, equivalente a uma desvalorização de 3,85%.
Estoques certificados da ICE aumentam
Os estoques certificados de café nos armazéns credenciados da ICE Futures somavam 253.251 sacas de 60 quilos em 7 de outubro, segundo informações da bolsa.
O volume representa aumento de 56.815 sacas em relação ao dia anterior. A evolução desses estoques é acompanhada pelos participantes do mercado como um dos indicadores da disponibilidade de café para entrega nos contratos futuros.
As perspectivas para a oferta global também permanecem no radar, juntamente com as condições climáticas nas regiões produtoras brasileiras.
Alta do dólar pode reduzir impacto da queda externa
Na indicação cambial apresentada para a manhã desta quinta-feira, o dólar comercial avançava 0,16%, a R$ 5,0223. O Dollar Index, que acompanha a moeda norte-americana frente a uma cesta de divisas, subia 0,04%, aos 102,289 pontos.
A valorização do dólar tende a favorecer a conversão das receitas de exportação em reais e pode amortecer parte da queda do café nas bolsas internacionais. Isso, porém, não assegura recuperação imediata dos preços pagos ao produtor.
Para o mercado físico, a intensidade da pressão dependerá da combinação entre câmbio, desempenho dos contratos futuros e disposição de compradores e vendedores para fechar negócios.
Chuvas e florada seguem no radar do mercado de café
As condições de chuva nas regiões cafeeiras brasileiras continuam entre os principais fatores acompanhados pelos agentes do setor. A disponibilidade de água é relevante para a florada e para o desenvolvimento das lavouras que formarão a próxima safra.
Ao longo do pregão, o comportamento do arábica em Nova York e do dólar deverá orientar as referências domésticas. Após as perdas de quarta-feira, o mercado físico permanece cauteloso, com produtores à espera de uma melhora nas condições de comercialização.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias