Publicado em: 08/01/2024 às 19:20hs
O ano de 2024 se inicia no mercado internacional de café com o foco direcionado à safra brasileira que será colhida a partir de abril/maio. Após um sólido desempenho em 2023 na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) para o café arábica, as atenções se voltam para o tamanho da safra no Brasil, com especial preocupação em relação às condições climáticas.
Segundo Gil Barabach, consultor da SAFRAS & Mercado, apesar dos fundamentos não sustentarem totalmente o recente rally na ICE US, o mercado externo permanece otimista em relação à safra brasileira. A safra de 2023 foi robusta, proporcionando uma sensação de tranquilidade no abastecimento global. Barabach destaca que os temores produtivos ganham visibilidade, mas o sentimento externo permanece positivo quanto à próxima safra brasileira, especialmente a de café arábica.
A proteção climática que os fundos têm mantido, ampliando suas posições compradas em café em NY, pode diminuir com um clima favorável, gerando oscilações nos preços. Esse movimento, típico do mercado de café, normalmente ocorre entre a florada e a granação, mas a recente volatilidade é incomum para esse período.
No cenário financeiro, as atenções estão voltadas para a política monetária do Fed (Banco Central norte-americano) e seus impactos na economia mundial em 2024. Barabach destaca um entusiasmo inicial, especialmente em commodities, que pode se dissipar com o tempo, seguindo a calmaria natural do mercado. O consultor aponta para a possibilidade de volatilidades nos primeiros meses do novo ano, principalmente se o Fed reavaliar suas decisões sobre cortes de juros.
Quanto aos fatores fundamentais, Barabach avalia que não há mudanças significativas na demanda que justifiquem uma saída da zona de conforto. O abastecimento permanece tranquilo, com a indústria estendendo posições e trabalhando com estoque na mão do produtor. Ele enfatiza que a mudança de comportamento da indústria só ocorrerá se houver riscos percebidos no abastecimento futuro, algo que ainda não está no radar dos compradores, mas sim dos fundos e alguns agentes de curto prazo.
O consultor conclui que um sinal mais positivo sobre a safra brasileira pode impactar as cotações internacionais do café para baixo, mas ressalta a cautela na tomada de decisões no início de 2024. Ele destaca que seria necessário um indicativo mais forte de perdas na safra brasileira ou em outra origem importante para romper a linha de US$ 2,00 a libra-peso para cima.
Fonte: Portal do Agronegócio
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