Publicado em: 06/04/2026 às 18:40hs
O mercado global de café deve registrar um cenário mais confortável em 2026, com previsão de superávit de aproximadamente 10 milhões de sacas, segundo análise da StoneX. Apesar da melhora nos fundamentos, o setor ainda deve enfrentar volatilidade diante de incertezas climáticas, geopolíticas e regulatórias.
A projeção indica que a produção mundial de café deve atingir 182,5 milhões de sacas em 2026, superando o consumo estimado em 172,5 milhões. Com isso, os estoques globais tendem a se recuperar, ultrapassando 48 milhões de sacas, após quatro anos consecutivos de queda até 2024 e leve recomposição em 2025.
Mesmo com esse avanço, o mercado ainda não deve se sentir totalmente abastecido. A recuperação ocorre a partir de níveis historicamente baixos e de forma desigual entre regiões produtoras e consumidoras.
O principal motor da expansão da oferta é o Brasil, que deve registrar uma safra recorde de 75,3 milhões de sacas no ciclo 2026/27, representando alta de 20,8% na comparação anual.
O crescimento reflete a recuperação após adversidades climáticas na temporada anterior, além de ganhos estruturais de produtividade, especialmente no café robusta.
Outras regiões também contribuem para o aumento da oferta global:
Por outro lado, algumas origens apresentam desempenho mais fraco:
Esse cenário reforça a heterogeneidade da oferta global.
A recomposição dos estoques é um dos principais pontos de atenção para o mercado. O volume global deve subir de cerca de 38 milhões para mais de 48 milhões de sacas em 2026.
No Brasil, os estoques devem crescer aproximadamente 5 milhões de sacas, sendo o principal pilar dessa recuperação.
No entanto, a distribuição segue desigual entre os principais mercados consumidores:
Esse desequilíbrio mantém o mercado sensível a oscilações.
Após uma queda de aproximadamente 2,5% em 2025, o consumo global de café deve crescer no mesmo ritmo em 2026, também com alta estimada em 2,5%.
A recuperação é sustentada pela desaceleração da inflação e pela melhora gradual das condições econômicas, especialmente em mercados relevantes como Estados Unidos, Brasil e Japão.
Apesar disso, os preços ainda elevados continuam impactando o consumo:
Além dos fundamentos de oferta e demanda, o setor segue atento a fatores externos que podem influenciar os preços e o fluxo comercial.
Entre os principais pontos está o EUDR, regulamento da União Europeia que exige rastreabilidade e comprovação de que produtos importados não estejam associados ao desmatamento.
Também permanecem no radar:
Mesmo com o superávit projetado e a recomposição dos estoques, o mercado global de café deve continuar sujeito a volatilidade ao longo de 2026.
A melhora nos fundamentos reduz o risco de eventos extremos, mas não elimina a sensibilidade a choques de oferta ou demanda, especialmente diante da distribuição desigual dos estoques e das incertezas externas.
O cenário aponta para um período de transição, em que o equilíbrio entre produção, consumo e estoques será determinante para a formação dos preços no mercado internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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