Publicado em: 19/02/2026 às 11:40hs
O mercado global de café iniciou esta quinta-feira (19) em baixa, refletindo a volatilidade observada nas últimas semanas e a realização de lucros após altas recentes. O movimento ocorre em meio à perspectiva de safra recorde no Brasil e à manutenção da política monetária restritiva do Banco Central, fatores que influenciam diretamente as cotações e o comportamento dos investidores no mercado internacional.
Os contratos futuros do café apresentaram recuos superiores a 1% nas primeiras horas do dia, em um movimento de correção técnica após o avanço nas cotações registrado na sessão anterior. A realização de lucros e o aumento da oferta esperada para os próximos meses têm contribuído para a pressão baixista nos preços.
De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de café no Brasil deve crescer 17,2% em 2026, atingindo o recorde de 66,2 milhões de sacas. O levantamento indica um aumento expressivo na colheita de arábica, com avanço de 23,2%, chegando a 44,1 milhões de sacas, e um crescimento de 6,3% no robusta, totalizando 22,1 milhões de sacas.
Segundo análise do Barchart, essa projeção vem pressionando as cotações internacionais nas últimas três semanas. O relatório da Hedgepoint Global Markets reforça que a combinação de maior volume de arábica com boa oferta de robusta deve manter os preços sob pressão no médio prazo.
Boletim da Climatempo informa que Minas Gerais, maior região produtora de café arábica do país, recebeu 72,6 mm de chuva na semana encerrada em 6 de fevereiro, o que representa 113% da média histórica. As condições climáticas favoráveis impulsionam o desenvolvimento das lavouras e sustentam as projeções de uma colheita farta para esta temporada.
Para o sócio-diretor da Pine Agronegócios, Vicente Zotti, os fundamentos atuais não sustentam uma recuperação consistente dos preços no curto prazo.
“Pelo lado dos futuros, boa parte do movimento de queda já ocorreu, mas, com a entrada da nova safra e maior participação do produtor, ainda há espaço para que as cotações testem novamente patamares mais baixos”, destacou o especialista.
Por volta das 9h40 (horário de Brasília), os contratos futuros do café apresentavam queda generalizada:
Os demais vencimentos de maio e julho também operavam em queda, reforçando a tendência de correção do mercado.
No cenário doméstico, o Banco Central do Brasil (BCB) mantém a taxa Selic em 15,00% ao ano, em linha com sua política de controle da inflação. Apesar da desaceleração inflacionária, a instituição adota postura cautelosa para garantir a convergência dos preços à meta.
O mercado financeiro, contudo, projeta que a Selic encerre 2026 em 12,25% ao ano, com possíveis cortes graduais ao longo do período. Essa perspectiva tende a influenciar o câmbio e os custos de financiamento, afetando diretamente o comportamento de exportadores e produtores rurais.
As projeções mais recentes apontam que o IPCA deve encerrar o ano em 3,95%, abaixo das estimativas anteriores, o que reforça um cenário de preços mais controlados e permite maior previsibilidade para o setor produtivo e exportador.
A combinação entre projeção de safra recorde, condições climáticas favoráveis e política monetária restritiva compõe um cenário de pressão sobre os preços do café no curto prazo.
Com a entrada da nova safra e ajustes na política de juros ao longo do ano, o mercado deve continuar observando volatilidade, com cotações sensíveis às condições de oferta, câmbio e demanda internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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