Publicado em: 04/02/2026 às 11:34hs
O mercado de café inicia 2026 sob influência direta das condições climáticas positivas nas principais regiões produtoras do Brasil. Em janeiro, a presença de chuvas regulares e temperaturas equilibradas favoreceu o desenvolvimento das lavouras em fase crucial de enchimento dos grãos, abrindo caminho para uma safra 2026/27 mais produtiva.
De acordo com análises do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o clima mais úmido deve contribuir para o aumento da produtividade, especialmente nas áreas de arábica em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Ainda assim, pesquisadores alertam que períodos de calor intenso no fim de dezembro podem ter afetado parte do potencial produtivo, exigindo monitoramento constante.
A melhora nas condições de cultivo trouxe impacto direto nos preços do café no Brasil. O Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto em São Paulo, registrou queda de 3,7% em janeiro, encerrando o mês cotado a R$ 2.094,55 por saca de 60 kg.
A média mensal de R$ 2.178,82 foi a menor desde outubro de 2025, refletindo um ambiente de menor preocupação com oferta e maior confiança na recuperação das lavouras. O recuo também é atribuído à expectativa de uma colheita mais robusta e ao aumento das exportações globais, o que reforça a pressão de baixa nos preços domésticos.
No mercado internacional, o café segue a mesma tendência de queda observada no Brasil. Os contratos futuros do arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) recuaram mais de 12% no último mês, influenciados pelas previsões de boa safra brasileira e aumento das exportações asiáticas.
Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o robusta também fechou em forte queda:
O recuo foi impulsionado pela alta das exportações de Uganda e Indonésia, que cresceram 21,7% e 52%, respectivamente, em dezembro, além das chuvas acima da média no Brasil, que melhoraram as perspectivas para o café robusta.
A recuperação do clima nas principais regiões produtoras do mundo e o crescimento das exportações têm ampliado a oferta global de café. Países como Uganda, Indonésia e Vietnã vêm aumentando seus embarques, o que pressiona ainda mais os preços nas bolsas internacionais.
Segundo dados recentes, as exportações de Uganda atingiram o maior volume em dois anos, enquanto a Indonésia registrou embarques de 32,5 mil toneladas de robusta de Sumatra em dezembro, alta de mais de 50% frente ao mesmo período de 2025.
Para os produtores brasileiros, o cenário de maior oferta representa uma oportunidade de consolidação produtiva, mas com margens pressionadas pela queda das cotações. Muitos devem adotar estratégias de hedge e contratos futuros para garantir rentabilidade diante da volatilidade de preços.
Para a indústria e o consumidor final, o aumento da oferta global tende a reduzir custos de aquisição e estabilizar preços no varejo ao longo do ano, com reflexos positivos para o mercado interno de torrefação e exportação.
O mercado de café em 2026 atravessa um momento de ajuste entre oferta crescente e preços mais baixos. A combinação de clima favorável no Brasil, safra promissora e exportações em alta em diversos países produtores cria um ambiente de maior estabilidade para o setor, mas também de menor remuneração no curto prazo.
Com o avanço da safra 2026/27, o foco dos investidores e produtores se volta para o comportamento do clima nas próximas semanas e para o impacto das exportações na formação de preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
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