Café

Mercado de café segue volátil em 2026 com pressão de oferta e estoques baixos, aponta Rabobank

Relatório AgroInfo Q1 2026 destaca cenário de instabilidade para o café global


Publicado em: 31/03/2026 às 18:00hs

Mercado de café segue volátil em 2026 com pressão de oferta e estoques baixos, aponta Rabobank

O Rabobank divulgou a nova edição do relatório AgroInfo – Q1 2026, trazendo uma análise detalhada do mercado global de café, que segue marcado por forte volatilidade e pressões tanto do lado da oferta quanto da demanda.

De acordo com o banco, o comportamento recente dos preços reflete uma combinação de fatores estruturais e conjunturais, incluindo movimentações de fundos, exportações mais fracas e mudanças no consumo.

Oferta elevada e expectativa de safra robusta pressionam preços

Um dos principais pontos destacados no relatório é a expectativa de uma safra volumosa, especialmente no Brasil, o que tende a aumentar a oferta global e exercer pressão baixista sobre os preços.

As condições climáticas favoráveis vêm contribuindo para o bom desenvolvimento das lavouras, elevando as projeções de produção para a safra 2026/27.

Esse cenário reforça a percepção de maior disponibilidade futura do produto, fator que já começa a ser precificado pelo mercado.

Estoques globais baixos aumentam sensibilidade do mercado

Apesar da perspectiva de aumento da oferta, o Rabobank destaca que os estoques globais de café permanecem em níveis historicamente baixos.

Segundo dados do USDA, os estoques mundiais estão em cerca de 20,1 milhões de sacas, o menor patamar dos últimos cinco anos, o que contribui para manter o mercado sensível a oscilações.

Essa combinação — estoques reduzidos e expectativa de safra maior — cria um ambiente de instabilidade, com movimentos frequentes nos preços.

Exportações brasileiras recuam e reforçam viés baixista

Outro fator relevante apontado pelo relatório é a queda nas exportações brasileiras. Dados do Cecafé indicam retração de 23,5% em fevereiro na comparação anual.

Esse desempenho mais fraco contribui para reforçar o viés de baixa nos preços no curto prazo, mesmo com o Brasil mantendo forte presença nos mercados internacionais, especialmente na Europa.

Consumo interno menor também pesa sobre o mercado

No mercado doméstico, a demanda por café apresentou recuo. Segundo a ABIC, o consumo brasileiro caiu 2,3% em 2025, totalizando 21,4 milhões de sacas.

A redução está associada aos preços mais elevados no varejo, que impactam diretamente o comportamento do consumidor.

Produtores seguram vendas à espera de melhores preços

Mesmo diante da pressão de baixa, muitos produtores brasileiros seguem capitalizados e optam por reter seus estoques, aguardando melhores oportunidades de comercialização.

Essa postura reduz a oferta imediata no mercado físico e pode gerar movimentos pontuais de alta nos preços.

Cenário internacional e custos de insumos adicionam incerteza

O relatório também aponta que o ambiente macroeconômico e geopolítico segue influenciando o mercado cafeeiro.

A alta nos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, pode elevar custos de insumos importantes, como fertilizantes, aumentando a incerteza para os produtores.

Tendência é de pressão no curto prazo, com volatilidade persistente

De forma geral, o Rabobank avalia que o mercado de café deve continuar operando sob pressão no curto prazo.

A combinação de safra robusta, exportações mais lentas e consumo retraído tende a manter os preços pressionados, enquanto os estoques baixos e a retenção de oferta pelos produtores devem sustentar episódios de volatilidade.

O comportamento climático, o câmbio e os movimentos dos fundos financeiros seguirão como fatores-chave para a trajetória do mercado ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

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