Publicado em: 08/04/2026 às 11:20hs
A aproximação da colheita de café no Brasil já começa a impactar os preços, mesmo com a intensificação dos trabalhos prevista apenas para meados de maio. Levantamentos do Cepea indicam que as cotações do café arábica vêm registrando quedas na maior parte dos dias desde o fim de março.
No caso do robusta, cuja colheita inicial ocorre entre abril e maio, a pressão é ainda mais evidente no mercado interno. A liquidez segue limitada, com produtores negociando volumes pontuais, principalmente para cumprir compromissos de curto prazo e se preparar financeiramente para o início da safra.
Após um tombo expressivo nas bolsas internacionais, o mercado do café iniciou a sessão desta quarta-feira (8) com recuperação técnica. Na Bolsa de Nova York, os contratos de arábica abriram em alta, com ganhos superiores a 300 pontos nos principais vencimentos.
Em Londres, o robusta também apresentou valorização, acompanhando o movimento de recomposição após a forte liquidação do dia anterior. Apesar disso, o ambiente segue marcado pela cautela, com investidores atentos ao avanço da safra brasileira e às perspectivas de aumento da oferta global.
O principal fator de pressão sobre os preços é a expectativa de uma safra robusta no Brasil. Para o ciclo 2026/27, a produção pode se aproximar de 75 milhões de sacas, representando crescimento superior a 20% em relação ao ano anterior.
Esse avanço é impulsionado pela recuperação das condições climáticas e ganhos de produtividade, especialmente no café robusta. Projeções de mercado indicam que a produção de arábica pode variar entre 46,5 e 49 milhões de sacas, contribuindo para um possível superávit global.
Com a entrada dos primeiros volumes da colheita entre abril e maio, a tendência é de maior oferta no curto prazo, o que limita reações mais consistentes nos preços.
Na sessão anterior, a Bolsa de Nova York registrou forte queda nas cotações do café arábica, que atingiram os níveis mais baixos em cerca de um mês. Os contratos com vencimento em maio de 2026 recuaram 4%, refletindo o aumento da oferta global e a expectativa de safra elevada no Brasil.
Além disso, fatores externos também influenciaram o mercado, como a valorização do dólar frente ao real e o aumento da aversão ao risco diante de tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O cenário de maior disponibilidade global também é influenciado pelo desempenho de outros países produtores. Em Honduras, por exemplo, as exportações de café cresceram 29,6% em março na comparação anual, totalizando cerca de 1,4 milhão de sacas.
Maior produtor da América Central, o país exportou 6,1 milhões de sacas na safra anterior, reforçando o aumento da oferta global e contribuindo para a pressão sobre os preços internacionais.
Apesar do cenário de oferta elevada, a recomposição dos estoques globais ocorre a partir de níveis historicamente baixos, o que mantém a volatilidade do mercado.
Analistas apontam que o comportamento dos preços deve seguir instável no curto prazo, alternando entre movimentos de recuperação técnica e pressão estrutural causada pelo avanço da colheita e pelo aumento da oferta.
Nesse contexto, o mercado do café permanece sensível ao ritmo da safra brasileira, às condições climáticas e à atuação de fundos financeiros, fatores que devem continuar ditando o comportamento das cotações nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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