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Melhores perspectivas de safra derrubam preços do café, mas mercado reage com correção técnica e apoio do dólar fraco

Estimativa recorde da Conab pressiona cotações internacionais, enquanto o arábica em Nova York registra leve recuperação após seis meses de quedas


Publicado em: 10/02/2026 às 11:50hs

Melhores perspectivas de safra derrubam preços do café, mas mercado reage com correção técnica e apoio do dólar fraco
Safra recorde brasileira derruba preços nas bolsas internacionais

Os preços do café vêm registrando forte recuo nas últimas semanas, refletindo as projeções otimistas para a safra brasileira de 2026. Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na última quinta-feira (5), o Brasil deve colher 66,2 milhões de sacas, o que representa um aumento de 17,2% em relação ao ano anterior e o maior volume da história.

O destaque é o café arábica, que deve crescer 23,2%, totalizando 44,1 milhões de sacas, enquanto o robusta (ou conilon) deve avançar 6,3%, alcançando 22,1 milhões de sacas. A expectativa de uma oferta robusta, somada à entrada de grãos do Vietnã — que exportou entre 3,4 e 3,7 milhões de sacas em janeiro —, trouxe alívio ao mercado internacional quanto ao abastecimento global no curto prazo.

Mercado global mantém volatilidade e pressões externas

Mesmo com a recuperação recente, o mercado do café segue volátil. Na manhã desta terça-feira (10), as bolsas internacionais operavam de forma mista: o arábica subia moderadamente, enquanto o robusta recuava nos contratos mais próximos, em Londres.

De acordo com o analista de mercado Marcelo Moreira, da Archer Consulting, o movimento reflete um “ajuste natural após as recentes quedas, com investidores reagindo à percepção de que o cenário global de oferta tende a se normalizar até a entrada da próxima safra brasileira 2026/27, prevista para abril”.

Além da influência da safra brasileira, a Colômbia, segundo maior produtor mundial de arábica, também contribui para o comportamento dos preços. Dados da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia indicam que a produção do país caiu 34% em janeiro, totalizando 893 mil sacas, o que ajuda a conter parte da pressão negativa nos preços.

Reação técnica após queda ao menor nível em seis meses

Na segunda-feira (9), o café arábica atingiu os preços mais baixos dos últimos seis meses na Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures US). O cenário de clima favorável no Brasil e a previsão de safra recorde ampliaram as vendas, levando as cotações abaixo do patamar de US$ 3,00 por libra-peso.

Entretanto, após as quedas intensas, o mercado reagiu com uma correção técnica, impulsionado pela desvalorização do dólar frente ao real e pela alta do petróleo e de outras commodities agrícolas.

Os contratos de março/2026 encerraram a sessão negociados a 299,85 centavos de dólar por libra-peso, alta de 1,1%, enquanto o vencimento de maio/2026 subiu 1,6%, fechando a 293,85 centavos.

Cenário de curto prazo ainda incerto

Embora os preços tenham mostrado alguma recuperação técnica, analistas alertam que a tendência de baixa pode persistir caso se confirmem as previsões de uma safra farta no Brasil e a normalização do fluxo de exportações do Vietnã. A expectativa é que o mercado siga oscilando entre ajustes técnicos e pressões de oferta, até que novas informações sobre o andamento da colheita brasileira definam a direção dos preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

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