Florada do café antecipa safra 2027 e exige atenção ao pegamento dos frutos
Chuvas favorecem floração em importantes regiões produtoras, mas calor e deficiência hídrica ainda podem limitar o desenvolvimento dos chumbinhos
Publicado em: 07/10/2026 às 09:30hs
A chegada antecipada das chuvas favoreceu floradas expressivas de café no Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Alta Mogiana, Matas de Minas e Espírito Santo, renovando as expectativas para a safra 2027. O potencial observado nas lavouras, porém, dependerá das condições de desenvolvimento das plantas nos próximos meses, especialmente durante o pegamento e a formação dos frutos.
Após a abertura das flores, o cafeeiro entra em uma etapa decisiva para a produção: a formação dos primeiros frutos, conhecidos como chumbinhos. Nesse período, calor intenso, oscilações de temperatura e deficiência hídrica podem comprometer parte do potencial indicado pela floração.
Segundo Maria Gabriela Lanza, doutora em Agronomia pela Unesp, o desafio é manter condições favoráveis para que as flores se transformem em frutos e continuem se desenvolvendo até a colheita.
“A chuva estimulou a abertura da florada e mostrou o potencial da próxima safra. O desafio agora é criar condições para que essas flores avancem para a formação dos frutos, porque ainda teremos vários meses de desenvolvimento da lavoura pela frente”, afirma.
Florada expressiva não garante produtividade
Embora a floração seja um sinal positivo, o resultado da safra será construído ao longo do ciclo. A retenção de folhas, a formação de ramos produtivos e o desenvolvimento dos frutos dependem da capacidade do cafeeiro de manter sua atividade fisiológica diante das mudanças ambientais.
Por isso, a avaliação das lavouras precisa ir além da quantidade de flores. Na visão da especialista, o manejo deve considerar também os fatores de estresse que podem afetar a planta antes mesmo de surgirem sintomas visíveis.
Mesmo com condições favoráveis no início dessa etapa, a evolução do clima permanece como uma variável importante para a consolidação da safra 2027.
Estresse no cafeeiro envolve água, temperatura e radiação
A exposição ao sol forte e a escaldadura das folhas costumam receber atenção no manejo do café. Entretanto, Maria Gabriela destaca que os riscos à atividade fisiológica são mais amplos e incluem déficit hídrico, variações de temperatura e estresse oxidativo.
“A radiação continua sendo um fator importante, mas não é o único. A planta também responde à disponibilidade de água, às variações de temperatura e ao estresse oxidativo”, explica.
Essa abordagem amplia o foco do manejo fisiológico, que passa a considerar a resposta da planta a diferentes condições ambientais durante todo o ciclo produtivo.
A luz continua sendo indispensável à fotossíntese. O objetivo, segundo a especialista, é favorecer a manutenção dos processos fisiológicos quando o cafeeiro enfrenta situações de estresse.
ICL apresenta tecnologia para manejo fisiológico do café
Nesse contexto, a ICL destaca o uso do Keep Green, apresentado pela empresa como o primeiro biofertilizante registrado para café no Brasil.
Segundo a companhia, a tecnologia atua no metabolismo do cafeeiro e favorece o aproveitamento da luz, com uma proposta distinta das soluções que formam uma barreira física sobre a superfície das folhas.
O posicionamento técnico da empresa prevê maior intensidade de uso em lavouras adultas entre setembro e outubro, período associado à florada e ao início da formação dos frutos.
Maria Gabriela, gerente de Produtos Foliares da ICL, ressalta que o acompanhamento deve continuar após o surgimento dos chumbinhos, pois as plantas permanecem expostas às mudanças do ambiente até a colheita.
“A produtividade não é definida apenas na florada. Ela vai sendo construída ao longo de todo o ciclo”, afirma.
Avaliações em 312 áreas registram ganho médio de 7,52 sacas por hectare
Dados de campo apresentados pela ICL reúnem avaliações em 312 áreas de café, distribuídas por 115 municípios de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Bahia. O acompanhamento abrangeu as safras 2022/23, 2023/24 e 2024/25.
Segundo a empresa, a diferença média entre as áreas tratadas com a tecnologia e os respectivos controles foi de 7,52 sacas por hectare. Considerando as três temporadas, a produtividade média informada foi de 55,94 sacas por hectare nos controles e de 63,46 sacas por hectare nas áreas tratadas.
Os incrementos médios registrados foram de 9,01 sacas por hectare em 2022/23, 6,37 sacas em 2023/24 e 7,29 sacas em 2024/25. Na última temporada, foram acompanhadas 103 áreas.
Para Maria Gabriela, a avaliação de diferentes ambientes ao longo de três safras ajuda a compreender a resposta do cafeeiro ao manejo fisiológico. A especialista defende que esse trabalho seja considerado durante o desenvolvimento da lavoura, sem ficar restrito aos episódios de calor ou radiação intensa.
Fonte: Portal do Agronegócio
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