Publicado em: 11/03/2026 às 20:00hs
As exportações brasileiras de café registraram queda em fevereiro de 2026. De acordo com o relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país embarcou 2,618 milhões de sacas de 60 kg, volume 23,5% menor em comparação com o mesmo mês de 2025.
Apesar da redução no volume, a receita cambial gerada pelas vendas externas alcançou US$ 1,062 bilhão, o que representa uma queda de 14,7% em relação ao faturamento registrado no mesmo período do ano passado.
Considerando o acumulado dos oito primeiros meses da safra 2025/26, entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, o Brasil exportou 26,038 milhões de sacas de café.
Esse volume representa uma queda de 22,6% em relação ao mesmo intervalo da safra anterior.
Por outro lado, a receita cambial apresentou crescimento no período. As exportações renderam US$ 10,301 bilhões, um avanço de 5,3% em comparação com os oito primeiros meses da safra 2024/25.
No primeiro bimestre de 2026, as remessas brasileiras de café ao exterior totalizaram 5,410 milhões de sacas, o que representa uma redução de 27,3% frente ao mesmo período do ano passado.
Em termos financeiros, os embarques geraram US$ 2,241 bilhões, valor 13% menor do que os US$ 2,575 bilhões registrados entre janeiro e fevereiro de 2025.
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o recuo nas exportações está ligado principalmente ao desempenho do café arábica, cujas cotações sofreram forte queda na Bolsa de Nova York.
De acordo com ele, fundos de investimento vêm liquidando posições compradas no mercado, antecipando uma maior disponibilidade de café na próxima safra.
Além disso, outros fatores também influenciam o cenário atual:
Ferreira alerta que esse cenário pode levar à perda temporária de participação do Brasil no mercado global, ao menos até a entrada da próxima safra.
Apesar do momento de retração, a expectativa do setor é de recuperação das exportações nos próximos meses.
Segundo o Cecafé, o café conilon já apresenta sinais de reação, favorecido por estoques maiores e pela colheita que começa a ser comercializada a partir de maio.
Para o café arábica, a retomada dos embarques deve ocorrer a partir de junho, com a chegada da nova safra, que deverá ter volume mais expressivo.
Ferreira também destaca que tensões geopolíticas no Oriente Médio e gargalos logísticos internacionais podem influenciar o comércio global no curto prazo.
A Alemanha liderou as importações de café brasileiro no primeiro bimestre de 2026, com a compra de 786.589 sacas, equivalente a 14,5% do total exportado. Mesmo assim, o volume representa queda de 20,1% em relação ao mesmo período de 2025.
Na sequência aparecem:
Entre os tipos de café exportados pelo Brasil, o arábica permanece como o principal produto embarcado.
No primeiro bimestre de 2026, foram exportadas 4,423 milhões de sacas, o equivalente a 81,8% do total, embora o volume represente uma queda de 28,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
Outros segmentos exportados incluem:
Os cafés diferenciados, que incluem produtos com qualidade superior, certificações de sustentabilidade ou características especiais, representaram 19,8% das exportações brasileiras no primeiro bimestre.
No período, foram embarcadas 1,069 milhão de sacas, volume 40,7% menor que o registrado no mesmo período de 2025.
Com preço médio de US$ 461,74 por saca, as exportações desse segmento geraram US$ 493,5 milhões, valor que correspondeu a 22% da receita total obtida com exportações de café no período.
Os principais destinos desses cafés foram:
O Porto de Santos (SP) permaneceu como o principal ponto de saída do café brasileiro no primeiro bimestre de 2026.
O terminal respondeu por 4,217 milhões de sacas exportadas, o equivalente a 77,9% do total.
Na sequência aparecem:
Fonte: Portal do Agronegócio
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