Exportações de café do Brasil avançam, mas qualidade da safra preocupa o mercado
Embarques de café em grão alcançam 3,93 milhões de sacas em setembro; maior oferta pressiona as bolsas, enquanto chuvas na colheita e riscos climáticos para 2027 sustentam cautela
Publicado em: 09/10/2026 às 18:20hs
O Brasil mantém um ritmo elevado de exportações de café, ampliando a disponibilidade do produto no mercado internacional. Ao mesmo tempo, problemas de qualidade associados ao excesso de umidade no fim da colheita de 2026 trazem dúvidas sobre a oferta de arábicas de melhor padrão e podem influenciar os preços nos próximos meses.
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques brasileiros de café em grão somaram 3.930.013 sacas de 60 quilos em setembro, com receita de US$ 1,294 bilhão. O volume foi o maior em 20 meses, reforçando a recuperação do fluxo de abastecimento.
Nas bolsas de Nova York, referência para o arábica, e de Londres, para o robusta, a semana foi marcada por volatilidade. A chegada da produção brasileira e a perspectiva de maior oferta de outras origens pressionam as cotações, enquanto a qualidade dos grãos e os riscos climáticos limitam a percepção de um abastecimento mais confortável.
Volume exportado cresce, mas preço médio recua
Nos 21 dias úteis de setembro, o Brasil exportou uma média de 187.143 sacas de café em grão por dia. A receita média diária foi de US$ 61,609 milhões, e o preço médio ficou em US$ 329,21 por saca.
Na comparação com setembro de 2025, o volume médio diário embarcado aumentou 20,4%, enquanto a receita média diária avançou 8,7%. O preço médio, por sua vez, caiu 9,8%.
Os números mostram que o crescimento dos embarques compensou a redução do valor recebido por saca. O relatório do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), com o consolidado de cafés verdes e industrializados, estava previsto para a tarde desta sexta-feira (9).
Entrada da safra brasileira mudou a direção dos preços
Durante o 12º Safras Agri Week, o analista Gil Barabach, da Safras & Mercado, explicou que a valorização entre julho e agosto foi sustentada pelo atraso da safra brasileira, pelos estoques baixos e pelo reposicionamento das carteiras dos fundos.
Em setembro, esse cenário começou a mudar. A produção passou a chegar com mais intensidade às cooperativas, aos armazéns e aos portos, ampliando a oferta ao mercado internacional.
Segundo o analista, os fundos reduziram suas posições líquidas compradas, enquanto os estoques certificados em Nova York cresceram. As primeiras floradas e as chuvas também melhoraram, naquele momento, as expectativas para a próxima safra brasileira.
Qualidade do arábica pode limitar melhora no abastecimento
Apesar do avanço da oferta, Barabach destacou que o excesso de chuvas e umidade durante a colheita prejudicou a qualidade do arábica em importantes regiões produtoras.
Na avaliação do consultor, esses problemas podem reduzir a disponibilidade comercial de determinados padrões de café e enfraquecer a expectativa de uma oferta mais tranquila.
A referência de exportação de 50 milhões de sacas atribuída pelo analista à percepção do mercado externo deve, portanto, ser analisada à luz da qualidade efetivamente disponível. Trata-se de uma expectativa de mercado, e não de um volume já confirmado.
Para Barabach, os cafés de melhor qualidade tendem a ganhar valor relativo caso se tornem mais escassos, enquanto os lotes de padrão inferior podem sofrer maior pressão.
Oferta de outras origens deve crescer no último trimestre
O analista espera reforço do abastecimento internacional com a chegada de café da Colômbia, América Central, África e Vietnã no último trimestre.
Esse movimento pode ampliar as alternativas de compra e contribuir para a pressão sobre as cotações. Ainda assim, o mercado permanece sujeito a correções após quedas acentuadas, mudanças nas posições dos fundos e oscilações cambiais.
Safra de 2027 começa bem, mas risco climático permanece
As primeiras floradas e as chuvas no período posterior à floração indicam um início favorável para a safra brasileira de 2027, tanto no conilon do Espírito Santo quanto no arábica, segundo Barabach.
O ciclo, porém, ainda está em sua fase inicial. O consultor aponta o último trimestre como um período de atenção, diante da possibilidade de redução das chuvas e formação de bolsões de calor em regiões produtoras.
Assim, o mercado acompanha duas questões simultâneas: a qualidade do café disponível da safra de 2026 e as condições climáticas que determinarão o desenvolvimento da produção de 2027.
Fonte: Portal do Agronegócio
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