Publicado em: 13/02/2026 às 18:00hs
As exportações brasileiras de café registraram forte queda em janeiro de 2026, refletindo os efeitos da entressafra e da redução dos estoques nacionais, de acordo com o relatório mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil.
No mês, o Brasil embarcou 2,78 milhões de sacas de 60 kg, volume 30,8% menor em relação às 4,02 milhões de sacas enviadas ao exterior no mesmo período de 2025. Em termos de receita cambial, houve queda de 11,7%, totalizando US$ 1,175 bilhão em janeiro.
Segundo o Cecafé, o cenário já era esperado, considerando o período de menor oferta até a chegada da safra 2026/27 e os estoques limitados de café arábica.
Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, as exportações brasileiras somaram 23,4 milhões de sacas, gerando US$ 9,235 bilhões em receita.
Na comparação com o mesmo período da safra 2024/25, o volume embarcado caiu 22,5%, enquanto a receita subiu 8,1%, resultado da valorização média do produto ao longo do segundo semestre de 2025.
De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a desvalorização dos preços do café observada desde janeiro — e intensificada em fevereiro — reduziu o ritmo dos negócios no mercado internacional.
A expectativa de uma recuperação da produção brasileira na safra 2026/27, especialmente do café arábica, e a queda do dólar também contribuíram para o arrefecimento das exportações.
“Estamos em um momento de produtores capitalizados, resultado dos bons preços obtidos nos últimos anos, mas com estoques de arábica limitados e o conilon e robusta sendo direcionados principalmente ao mercado interno. Isso tem restringido o volume disponível para exportação”, explicou Ferreira.
O presidente do Cecafé ressalta que, com a aproximação da nova safra, prevista para iniciar em maio de 2026, há expectativa de recuperação gradual dos embarques, especialmente de conilon e robusta.
“À medida que o Brasil se alinha aos principais concorrentes, deveremos observar uma retomada no ritmo das exportações desses cafés. O mesmo movimento deve ocorrer com o arábica a partir de julho, quando se inicia a colheita da safra 2026/27”, completou Ferreira.
Até lá, o Cecafé prevê que os volumes exportados devem permanecer reduzidos, devido à baixa competitividade do café brasileiro, sobretudo do arábica, frente a outros produtores globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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